Mosquitos transgênicos polêmicos serão soltos no ambiente

Epidemia urbana

O Brasil dará início à produção em larga escala de um mosquito transgênico que será solto na natureza, visando o combate à dengue.

A fábrica que irá produzir em larga escala o vetor foi inaugurada pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Juazeiro, na Bahia.

O Ministro afirmou que o governo federal aposta na iniciativa, inédita no mundo - a Moscamed, a fábrica especializada na produção de insetos transgênicos para controle biológico de pragas, é uma empresa pública.

"Nós incentivamos o desenvolvimento deste projeto e vamos monitorar de perto, pois promete ser uma alternativa efetiva de controle da principal epidemia urbana do país", afirmou o ministro.

Animais transgênicos

Por outro lado, recentemente cientistas emitiram uma alerta sobre a falta geral de informações científicas precisas que possam ser disponibilizadas para a sociedade antes da liberação desses animais geneticamente modificados.

Ao contrário da adoção das plantas transgênicas, que, de uma forma de outra, foi discutida com a sociedade, os animais transgênicos estão sendo soltos na natureza sem qualquer discussão aberta a respeito.

Veja mais detalhes na reportagem:

Os pernilongos transgênicos são tidos como estéreis.

Contudo, os estudos científicos que embasam o desenvolvimento dos animais transgênicos afirmam que eles são "machos parcialmente estéreis", e não "machos estéreis", como se apregoa ao falar ao público.

E não se sabe o que pode acontecer quando as filhas desses machos não-estéreis picarem o ser humano.

Cobaias humanas

Com 720 m2 de área, a "fábrica" de mosquitos transgênicos vai produzir em larga escala machos do Aedes Aegypt geneticamente modificados.

Sua capacidade máxima de produção é 4 milhões de machos do Aedes Aegypt estéreis.

Estes mosquitos, liberados no ambiente em quantidade duas vezes maior do que os mosquitos não-estéreis, vão atrair as fêmeas para cópula, mas sua prole não será capaz de atingir a fase adulta, o que deve reduzir a população de Aedes a tal nível que controle a transmissão da dengue.

A população do município baiano de Jacobina, com 79 mil habitantes, será usada como cobaia do experimento - o município apresentou 1.647 casos de dengue e dois óbitos pela doença só neste primeiro semestre de 2012.

De fato, conforme alega o governo, a ação é inédita mundialmente: nenhum outro país emitiu autorização para experimentos desse tipo diretamente com a população, e sem estudos do impacto biológico dos animais transgênicos.


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