Nanopartículas de colesterol bom localizam e destroem células de câncer

Nanopartículas de colesterol bom localizam e destroem células de câncer
Partículas de HDL, o colesterol bom, serão usadas para transportar uma nova terapia genética contra o câncer.
[Imagem: University of Cincinnati]

HDL sintético

Pouco depois de desvendarem a estrutura real do colesterol bom, ou HDL, os cientistas agora descobriram que a molécula pode ser usada para transportar medicamentos contra o câncer.

Nanopartículas de HDL sintético foram carregadas com pequenos fragmentos de RNA interferente, que silenciam genes promotores do câncer.

No experimento, as partículas "desligaram" seletivamente os genes e reduziram ou eliminaram completamente tumores de câncer de ovário em animais de laboratório.

Colesterol contra o câncer

"A interferência de RNA tem grande potencial terapêutico, mas levá-la até as células do câncer vinha sendo problemático," explica o Dr. Anil Sood, da Universidade do Texas.

"A combinação do siRNA com o HDL gerou uma forma eficiente para levar essas moléculas até seus alvos. Este estudo tem várias implicações importantes no combate a vários tipos de cânceres," diz o pesquisador.

Sood desenvolveu as nanopartículas - denominadas carreadores, porque carregam medicamentos - juntamente com seu colega Andras Lacko, que havia descoberto o potencial do HDL como meio de transporte de drogas.

O próximo passo da pesquisa é preparar os testes clínicos em humanos. "Se pudermos destruir 70, 80 ou 90% dos tumores sem acumulação de drogas no tecido normal em animais, muitos pacientes poderão se beneficiar desse novo tipo de tratamento a longo prazo," afirmou Lacko.

Sem efeitos colaterais

A não-acumulação dos medicamentos nos tecidos sadios significa que o paciente terá menos efeitos colaterais, sobretudo os fortes efeitos da quimioterapia.

Isso é possível com a nova técnica porque o receptor do HDL, chamado SR-B1, somente é expresso nas células tumorais e no fígado.

As tentativas anteriores de usar nanopartículas sintéticas para transportar o siRNA esbarraram na toxicidade que essas partículas minúsculas podem representar para o organismo, o que cria uma outra linhagem de efeitos colaterais, eventualmente mais danosos, porque as nanopartículas podem se acumular no organismo.

E, se não tiver uma sustentação para o seu transporte, o RNA de interferência se quebra e é excretado pelo organismo antes de poder agir.

Por sua vez, "o HDL é totalmente biocompatível e representa uma melhoria na segurança em relação aos outros tipos de nanopartículas," afirma Sood.


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