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10/06/2016

Estudos sobre oxitocina mostram (des)caminhos da pesquisa científica

Com informações da New Scientist
Oxitocina: hormônio do amor vira hormônio da decepção
Antigo "hormônio do amor", a oxitocina pode causar ansiedade. [Imagem: Wikipedia/MindZiper]

Hormônio da decepção

A oxitocina é uma molécula de excelente reputação entre os cientistas e entre o público em geral, graças a apelidos como "hormônio do amor", "hormônio da sociabilidade" e outros.

A oxitocina é produzida pelo hipotálamo e atua sobre o cérebro, desempenhando um papel na sociabilidade, no sexo e na gravidez.

Mas, agora que a substância está sendo conhecida em sua intimidade, ela vem revelando seus lados menos agradáveis e desinteressantes. Os resultados das pesquisas mais recentes mostram que muito da imagem de boazinha que os cientistas construíram ao redor da oxitocina pode estar simplesmente errado.

Oxitocina pelo nariz

Parte da fama da oxitocina foi gerada por estudos que teriam mostrado que bastaria respirar uma dose do hormônio para que as pessoas passassem a confiar mais umas nas outras.

O problema é que uma série de "estudos clássicos" estão sendo questionados à medida que outros pesquisadores não conseguem replicar os experimentos.

Paul Zak, do Centro de Estudos Neuroeconômicos na Califórnia (EUA), aumentou a fama da oxitocina em grande estilo, nas famosas palestras TED, em que cientistas explicam seu campo de estudo em formato de espetáculo. Zak esguichou uma seringa do hormônio no ar para explicar que, quando as pessoas respiram a oxitocina antes de participar de um jogo de empréstimo de dinheiro, isto aumenta a confiança de uns nos outros, explicou ele. Várias equipes ao redor do mundo tentaram, mas ninguém conseguiu replicar o experimento e chegar à mesma conclusão.

Em novembro passado, Gideon Nave e seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA) revisaram estudos científicos publicados sobre a oxitocina e concluíram que o efeito de esguichos nasais do hormônio sobre a confiança ou a confiabilidade não são diferentes de zero.

Positivo publica, negativo não publica

O problema é ainda mais curioso no caso do trabalho da equipe da professora Moïra Mikolajczak, da Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) que publicou um trabalho em 2012 que mostraria uma conexão entre a oxitocina e a confiabilidade. Os experimentos envolviam pessoas que preenchiam questionários sobre suas vidas sexuais - aqueles que cheiravam a oxitocina eram 44 vezes mais propensos a não selar os envelopes, mostrando que eles confiavam mais nos pesquisadores.

A própria equipe não conseguiu reproduzir seus resultados e encontrou problemas em seu estudo original. Foi aí que a situação ficou problemática: a mesma revista científica que publicou o artigo original, com resultados favoráveis à oxitocina, recusou a publicação do novo artigo, que apontava as falhas do experimento.

Mikolajczak agora está sugerindo que pode existir um viés de publicação: estudos sobre os efeitos de esguichos nasais de oxitocina são mais susceptíveis de serem publicados se o resultado for positivo. Afinal, dizer que uma substância não causa algo é muito menos suscetível de chamar a atenção.

Segundo ela, se outros pesquisadores tiveram a mesma experiência, um número incerto de resultados negativos sobre a oxitocina pode estar esquecido nas gavetas dos cientistas - e vários deles já deram declarações sustentando essa visão.

Barreira sangue-cérebro

No campo dos experimentos propriamente ditos, agora estão sendo lançadas dúvidas sobre se é mesmo possível que a oxitocina por via nasal atravesse a barreira sangue-cérebro. Se esses novos estudos se confirmarem, então é improvável que esguichar oxitocina no nariz possa ter qualquer efeito sobre o comportamento.


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