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11/12/2012

Paradoxo do envelhecimento ou paradoxo da Medicina Moderna?

Redação do Diário da Saúde

Medicalização do envelhecimento

A medicina ocidental costuma ver o envelhecimento como um período de declínio progressivo no funcionamento físico, cognitivo e psicossocial.

Um artigo recentemente publicado por especialistas fala do envelhecimento como o "problema de saúde número 1 dos Estados Unidos".

Ou seja, os especialistas consideram que envelhecer é sinônimo de ficar doente.

Um dos efeitos desse viés é que a medicalização tem afetado particularmente os idosos, transformando características de sua idade em doenças.

Contudo, pesquisas têm demonstrado que os idosos têm o maior índice de satisfação com a vida.

Paradoxo de envelhecimento

Essa felicidade com o envelhecer acaba de ser confirmada por um estudo realizado por cientistas da Universidade de Stanford, nos EUA, que encontraram um elevado nível de felicidade e bem-estar entre pessoas de 50 a 99 anos de idade - os participantes tinham 77 anos em média.

Os cientistas ficam estupefatos, e chamam isso de "paradoxo de envelhecimento" - suas teorias, baseadas unicamente na fisiologia corporal, dizem que envelhecer é ruim. Mas as pessoas que envelhecem dizem que a vida é pra lá de boa. E, para a ciência, firmemente postada em seus pressupostos, é um paradoxo.

Sem conseguir se livrar da tradição científica oficial, que vê o ser humano unicamente como uma máquina biológica, sem alma ou espírito, eles ficam tentando encontrar explicações para seu paradoxo.

Paradoxo da ciência

O que ocorre agora é que os cientistas estão tendo dificuldades em se render às suas próprias evidências.

"Algumas vezes, os resultados mais relevantes vêm da perspectiva das próprias pessoas," disse Dilip Jeste, da Universidade de San Diego, coordenador do estudo.

"Algumas vezes"?

Pelo menos em estudos que têm por objetivo estudar o bem-estar das pessoas, paradoxal é que os cientistas não considerem que a perspectiva das próprias pessoas devesse ser o principal em todas as vezes.

O novo estudo, assim como uma série de outros, desafia as noções da medicina tradicional de que bem-estar está ligado ao funcionamento do corpo.

Na verdade, os fatores que mais afetaram o bem-estar e a felicidade dos participantes são de natureza psicológica - tipicamente "males da alma".

Homem sem alma

O estudo concluiu que pessoas com funcionamento físico debilitado, mas não totalmente incapacitadas, consideram a vida tão boa quanto pessoas de corpo totalmente saudável mas com baixa resiliência.

Da mesma forma, as autoavaliações de indivíduos com funcionamento físico deteriorado, mas sem depressão ou com depressão mínima tiveram escores de bem-estar comparáveis aos de pessoas fisicamente saudáveis mas com depressão moderada ou grave.

"Ficou claro para nós que, mesmo em meio à decadência física ou cognitiva, os indivíduos em nosso estudo relataram sentir que seu bem-estar melhorou com a idade," admitiu Jesse, embora acrescentando que o resultado seja "contraintuitivo".

Talvez mais contraintuitivo seja a tão avançada medicina moderna continuar a ver o ser humano como uma simples máquina.

Atribui-se a Descartes a separação entre corpo e "matéria pensante" (res-cogitans). Mas Descartes não aboliu a "alma humana", antes reconheceu sua existência.

Quem igualou a "matéria pensante" ao cérebro humano foi a Medicina Moderna.

Logo, certamente é mais correto falar-se do paradoxo da Medicina Moderna Ocidental do que de um inventado paradoxo do envelhecimento. Afinal, quem nunca ouvir dizer que a idade traz a sabedoria?


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