Personagens virtuais afetam homens e mulheres de forma diferente

Personagens virtuais afetam homens e mulheres de forma diferente
A pesquisa levanta questões importantes sobre a ética ao revelar que a aparência dos personagens virtuais pode alterar o julgamento moral e ético das pessoas.
[Imagem: Karl MacDorman]

Humanos virtuais

Avatares, seres humanos virtuais, ou que nome recebam, os personagens humanos criados por computador estão cada vez mais assumindo papéis que antes eram reservados apenas aos seres humanos reais.

Mas como a aparência, a qualidade do movimento e outras características dos personagens gerados por computador podem afetar as decisões morais e éticas dos seus telespectadores?

Este foi o tema de um estudo realizado por cientistas das universidades de Indiana e Purdue, ambas nos Estados Unidos, e que será publicado no exemplar de Junho da revista científica Presence.

Comportamento virtual e comportamento real

Os cientistas descobriram que as decisões dos homens são fortemente afetadas pela aparência de uma mulher virtual.

Mas o mesmo não acontece com as mulheres, que parecem não se impressionar com o personagem virtual ao tomar suas decisões.

"Já há muitas evidências mostrando que o comportamento não-verbal pode ter um profundo impacto sobre o julgamento humano, de maneiras que raramente são conscientes, e esta pesquisa estende o trabalho para o reino digital," explica Karl MacDorman, coautor do estudo.

"Este trabalho demonstra que os fatores de apresentação influenciam as decisões das pessoas, incluindo as decisões com consequências morais e éticas, provavelmente sem que as pessoas percebam isso," explica.

"A 'interface humana" é a interface mais natural para nós na comunicação, porque é a interface que conhecemos melhor. Existem muitas aplicações potenciais para personagens humanos simulados em interfaces de comunicação," diz o pesquisador.

Dilema ético

No estudo, uma personagem virtual do sexo feminino apresentou aos participantes um dilema ético, relacionado com a conduta sexual e a infidelidade conjugal.

O realismo da personagem virtual e a qualidade do seu movimento foram variados em quatro estágios de aprimoramento.

As alterações não tiveram efeito significativo sobre as espectadoras do sexo feminino, enquanto os espectadores do sexo masculino tenderam muito mais a condenar a atitude da personagem virtual quando sua qualidade de imagem era inferior, mostrando claramente que ela era gerada por computador.

Manipulação do comportamento

O fato de que homens e mulheres reagem de forma diferente a mudanças na apresentação visual de um personagem pode ter impacto no desenvolvimento dos futuros sistemas criados para facilitar a tomada de decisão médica, para a reconstituição de crimes e muitos outros cenários.

"Quando tivermos uma melhor compreensão científica de como os comportamentos não-verbais podem ser usados para influenciar as pessoas sem o seu conhecimento, nós também precisaremos considerar como isto poderia ser explorado por aqueles que criam personagens virtuais," disse MacDorman.

"Se isto for usado para manipular as pessoas para tomarem ações que não fariam normalmente, como comprar mais produtos ou aderir a recomendações médicas ou comportamentais, isto claramente levanta questões éticas. A tecnologia não deve ser usada de maneiras que diminuam a autonomia humana," adverte MacDorman.


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