Pessoas religiosas são psicologicamente mais ajustadas?

Religião versus aceitação social

As pesquisas psicológicas têm constatado que as pessoas religiosas sentem-se melhor consigo mesmas, com uma tendência a uma auto-estima social mais elevada e um melhor ajustamento psicológico do que os não-crentes.

Mas um novo estudo descobriu que isso só é verdade nas sociedades que dão um valor elevado à religião.

Como em outros estudos, os pesquisadores constataram que pessoas mais religiosas têm auto-estima social mais elevada e são melhor ajustadas psicologicamente.

Mas eles suspeitavam que o motivo para isso era o de que as pessoas religiosas são melhores em viver de acordo com os valores sociais das sociedades religiosas, o que, por sua vez, poderia deve levar a uma auto-estima social mais elevada e ao melhor ajustamento psicológico verificados.

E isso os levou a fazer uma pesquisa internacional, cobrindo vários países da Europa.

Valorizado pelos pares

As pessoas que participaram no estudo vivem em 11 diferentes países europeus, que vão desde a Suécia, o país menos religioso do planeta, até a devotamente católica Polônia.

Eles usaram as respostas das pessoas para descobrir como eram os religiosos dos diferentes países e, em seguida, compararam os países.

Na média, os crentes só têm os benefícios psicológicos de ser religioso quando vivem em um país que valoriza a religiosidade.

Em países onde a maioria das pessoas não são religiosas, as pessoas religiosas não têm maior auto-estima do que os não-crentes.

"Nós acreditamos que você só dá palmadinhas nas próprias costas por ser religioso se você vive em um sistema social que valoriza a religiosidade," diz Jochen Gebauer, da Universidade Humboldt (Alemanha).

Assim, uma pessoa muito religiosa pode ter elevada auto-estima social na religiosa Polônia, mas não na não-religiosa Suécia.

Aspectos sociais da religião

Neste estudo, os pesquisadores fizeram comparações entre países diferentes, mas um outro estudo encontrou um efeito semelhante dentro de um país, entre estudantes de universidades religiosas e não-religiosas.

Um outro estudo já havia sugerido que não são os aspectos teológicos, mas os aspectos sociais que tornam as pessoas religiosas mais felizes:

"O mesmo pode ser verdade quando se compara diferentes estados dos EUA ou cidades diferentes," sugere Gebauer.

O estudo foi publicado na revista Psychological Science.


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