Preferências dos pacientes são mal diagnosticadas pelos médicos

Diagnóstico do paciente

Os médicos não estão ouvindo os pontos de vista dos pacientes sobre como eles querem ser tratados.

Os especialistas responsáveis pela afirmação garantem que as preferências do paciente são tão importantes quanto um diagnóstico médico preciso.

Além disso, envolver os pacientes na discussão sobre as opções de tratamento pode reduzir o custo dos cuidados de saúde em todo o mundo, afirmam.

O estudo, realizado por médicos do Dartmouth College (Reino Unido) foi publicado no renomado British Medical Journal.

Erros de diagnóstico silenciosos

Os pesquisadores argumentam que a "diagnóstico incorreto das preferências do paciente" - interpretar mal ou ignorar a vontade do paciente - é um problema significativo que é prejudicial para médicos e pacientes.

Eles afirmam que isto pode levar ao que eles chamam, "erros de diagnóstico silenciosos" - quando os médicos escolhem os tratamentos errados porque não conseguem avaliar corretamente as preferências de seus pacientes.

Estes diagnósticos equivocados são "silenciosos" porque em grande parte nunca são descobertos e relatados.

Enquanto os médicos aprendem a se concentrar em diagnosticar o problema médico, os autores apontam para evidências que sugerem que os médicos não são tão bons em listar todas as opções de tratamento e descobrir como o paciente se sente a respeito de cada uma delas.

Preferências de tratamento

Em um dos estudos analisados pela equipe, os médicos acreditavam que 71% das pacientes com câncer de mama tinham como prioridade a manutenção da mama, mas o dado relatado pelas pacientes foi de apenas 7% - a prioridade das mulheres era curar-se do câncer.

Em outro estudo, sobre demência, os pacientes deram uma importância substancialmente menor do que os médicos na continuação da vida apesar da função cerebral em grave declínio.

Evidências também mostram que os pacientes muitas vezes escolhem tratamentos diferentes depois que se tornam mais bem informados sobre os riscos e benefícios de cada um, dizem os autores.

Uma dessas evidências revelou que a opção pela cirurgia para tratamento de doença benigna da próstata cai em 40% quando os pacientes são informados sobre os riscos de disfunção sexual como efeito colateral da cirurgia.

Analisar o paciente

Mas garantir que as preferências dos pacientes não sejam diagnosticadas incorretamente não é tão simples quanto perguntar ao paciente o que ele ou ela quer, explicam os autores.

Eles afirmam que a diminuição dos erros de diagnóstico silenciosos exige que os médicos completem três etapas ao discutir o assunto com o paciente.

  • Adotar uma atitude de distanciamento científico;
  • usar dados para descobrir qual é a preferência real do paciente; e
  • envolver o paciente em uma tomada de decisão compartilhada sobre o seu tratamento.

Envolver o paciente na discussão sobre as possibilidades de tratamento irá ajudá-lo a ficar mais informado sobre as opções e diminuir a probabilidade de que suas preferências sejam mal interpretadas ou mal diagnosticadas, concluem os autores.


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