Recombinação entre vírus pode gerar uma pandemia de gripe aviária

Recombinação entre vírus pode gerar uma pandemia de gripe aviária
Em experimentos de laboratório feitos em camundongos, um único segmento genético de um vírus de gripe humana sazonal, H3N2, foi capaz de converter o vírus da gripe aviária H5N1 em uma forma altamente patogênica.
[Imagem: Sebastian Maurer-Stroh et al/Biology Direct]

Combinação de vírus

Interações genéticas entre o vírus H5N1, da gripe aviária, com os vírus da gripe sazonal humana têm o potencial para criar variedades híbridas que combinam a virulência da gripe aviária com a capacidade de pandemia do H1N1.

Em experimentos de laboratório feitos em camundongos, um único segmento genético de um vírus de gripe humana sazonal, H3N2, foi capaz de converter o vírus da gripe aviária H5N1 em uma forma altamente patogênica.

Os resultados deste novo estudo foram publicados no site e deverão aparecer no próximo número da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Vírus híbridos

"Alguns híbridos entre o vírus H5N1 e os vírus da gripe sazonal foram mais patogênicos do que o vírus H5N1 original. Isso é preocupante," afirma Yoshihiro Kawaoka, virologista da Universidade de Wisconsin-Madison e autor sênior do novo estudo.

O vírus H5N1 da gripe aviária já se espalhou pelo mundo por meio das populações de pássaros e causou 442 casos humanos confirmados e 262 mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Até agora, porém, a gripe aviária não foi capaz de se difundir de forma eficaz entre as pessoas, o que poderia passar a acontecer pela hibridização dos dois tipos de vírus.

"O vírus H5N1 nunca adquiriu a capacidade de transmissão entre seres humanos, razão pela qual não tivemos uma pandemia. A preocupação é que o pandêmico vírus H1N1 pode fornecer essa capacidade para o altamente patogênico vírus H5N1," diz Kawaoka.

Recombinação de vírus

Dois vírus que infectam uma única célula hospedeira podem trocar material genético - ou recombinar-se - criando linhagens de vírus híbridos com características herdadas de cada vírus-pai.

Antes deste estudo, os vírus híbridos gerados em estudos de laboratório sempre foram menos virulentos do que as cepas originais.

No entanto, a nova descoberta levanta a preocupação de que o H5N1 e o pandêmico vírus H1N1 poderiam recombinar-se em indivíduos expostos a ambos os vírus e gerar uma nova cepa da gripe que seria altamente contagiosa e virulenta.

Genoma do vírus

A maior virulência observada no novo estudo parece advir de um dos oito genes no genoma viral, chamado PB2, que é conhecido por afetar a capacidade do vírus da gripe aviária de se desenvolver em hospedeiros mamíferos, incluindo os seres humanos.

Quando testado em camundongos, a versão do PB2 do vírus humano, trocada com o H5N1, converteu o vírus da gripe aviária em uma forma altamente patogênica.

Os pesquisadores dizem que o acompanhamento das populações virais é essencial para monitorar a potencial emergência variantes virais de alta patogenicidade devido ao rearranjo dos vírus da gripe aviária e humana.

Vírus à solta

Os resultados, incluindo a identificação do segmento PB2 como um elemento-chave para o aumento da virulência, fornecem informações que podem ser úteis no caso de uma pandemia causada por uma cepa híbrida de gripe aviária-gripe humana.

"Com a nova pandemia do vírus H1N1, as pessoas como que se esqueceram da gripe aviária H5N1. Mas a realidade é que o vírus da gripe aviária H5N1 ainda está por aí," diz Kawaoka. "Nossos dados sugerem que é possível haver uma recombinação entre os subtipos H5N1 e H1N1 que pode criar um vírus H5N1 mais patogênico."

Esta recombinação ainda não observada ao natural. Resta esperar que os controles laboratoriais sejam eficientes o bastante para que a versão patogênica gerada pelos pesquisadores não escape para o meio ambiente.


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