Recorde mundial dos 100 metros rasos pode chegar a 9,48 segundos

O fenômeno Usain Bolt

Este foi um ano inesquecível para os fãs do esporte, especialmente em agosto, nos Jogos Olímpicos de Pequim, quando o mundo viu recordes despencarem como se as marcas anteriores fossem de brincadeira.

Michael Phelps, dos Estados Unidos, foi o grande vencedor em número de medalhas de ouro (oito), mas ninguém assombrou mais do que o jamaicano Usain Bolt, que pareceu ser capaz de ganhar os 100 metros rasos, a prova mais nobre do esporte olímpico, com os olhos vendados ou em uma perna só, tamanha a facilidade. Para completar, bateu o recorde dos 200 metros, que perdurava há 12 anos.

Limites físicos do ser humano

Com atletas correndo cada vez mais rápido, a grande questão do esporte é quais são os limites para o ser humano. Mark Denny, que coordena o Laboratório de Biomecânica que leva seu nome na Universidade Stanford, decidiu verificar se há limites absolutos para a velocidade humana e, se tais valores existirem, o quão próximo eles estão.

O cientista comparou as performances do homem com duas espécies de velocidade notória, cães e cavalos de corrida. Os resultados da pesquisa foram publicados no The Journal of Experimental Biology.

Recordes duram mais de meio século

Denny encontrou dados de velocidade de cães de corrida desde a década de 1920 e desde o século 19 para cavalos e humanos. A primeira conclusão foi que, das três, duas espécies aparentemente chegaram no limite.

Desde a década de 1970, os tempos dos cães têm se mantido estáveis. No caso dos cavalos, a velocidade não aumentou para o Kentucky Derby desde a década de 1940 e para outras duas das principais provas do hipismo norte-americano desde os anos 1970.

O aumento nas populações de cães e cavalos de raça criados para corrida não resultou na melhoria da velocidade. "Entretanto, o acaso pode fazer com que surja um animal mais rápido", disse Denny. Mesmo assim, ele estima que o aumento máximo na velocidade até 2012 seria de 1%, chegando a um pouco mais de 61 km/h.

Limites dos recordes mundiais

Para os humanos, os resultados são mais complexos por conta dos diferentes tipos de provas olímpicas de corrida, dos 100 metros à maratona. Entretanto, ao analisar os resultados desde os primeiros Jogos da era moderna, fica claro que o homem ainda não atingiu seu limite em nenhuma das distâncias envolvidas.

Mas o limite para os 100 metros rasos pode não estar tão distante. Denny estima que o homem poderá vencer a distância em até 9s48, ou seja, correr 0s21 mais rápido do que o atual recorde mundial de 9s69, de Usain Bolt.

Estudos anteriores calcularam que, caso Bolt não tivesse "tirado o pé do acelerador" nos últimos 15 metros em Pequim, quando abriu os braços e passou a comemorar o ouro, o jamaicano poderia ter completado os 100 metros em 9s55 ou até menos. Ou seja, se há alguém que poderá chegar ao limite previsto por Denny, esse alguém é o atual homem mais rápido do mundo.

No caso das velocistas mulheres, os números não têm caído tanto como para os homens, mas o cientista calcula que elas poderão correr os 100 metros em 10s19 - o recorde atual, de 10s49, é da norte-americana Florence Griffith-Joyner, que já dura 20 anos.

Recordes da maratona

Na maratona, o professor de Stanford calcula que o recorde mundial - batido pelo etíope Haile Gebrselassie em 28 de setembro, em Berlim, com o tempo de 2h03min59 - deva cair entre 2min7 e 4min23 até o limite humano.

Para as maratonistas, o pesquisador estima que o limite esteja mais próximo. Segundo ele, a maratona feminina poderá ser a primeira prova de corrida em que o limite será atingido. Denny estima que o máximo que se chegará é o tempo de 2h12min41. O recorde atual é da inglesa Paula Radcliffe, com 2h15min25, batido em 2003.


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