Ipen desenvolve repelente natural de mosquito da dengue e malária

Ipen desenvolve repelente natural de mosquito da dengue e malária
Os repelentes de inseto, 100% naturais, são liberados lentamente do suporte polimérico que poderá ter uma grande variedade de formatos.
[Imagem: Jesus Carlos e Arquivo Ipen]

A invasão dos mosquitos

Vivemos em um planeta com cerca de 2.500 espécies diferentes de mosquitos. Os Anopheles são os transmissores de malária e os Aedes da febre amarela e da dengue.

Cerca de 2 bilhões de pessoas, correspondente a 30% da população mundial, correm riscos de contrair alguma doença transmitida por mosquitos, principalmente os que moram em zonas tropicais.

Problemas das técnicas de combate aos mosquitos

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. No Brasil, mais de 200 mil pessoas por ano sofrem algum problema de saúde causada pelo mosquito Aedes. A malária, por sua vez, mesmo menos popular que a dengue, é a causa da morte de 1 a 2,5 milhões de pessoas por ano.

O carro-fumacê ou nebulização são medidas executadas para o controle da epidemia, no entanto, utilizam agentes que com exposição continuada podem ser tóxicos, causando problemas alérgicos e neurológicos.

Repelentes são boa estratégia para o controle de epidemia, porém os repelentes conhecidos e adquiridos em supermercados ou farmácias, na forma de cremes ou sprays, podem causar alergias de pele ou toxicidade sistêmica, além de interferência endócrina.

Repelentes naturais de mosquitos

Baseado em fatos como esses, pesquisadores da área de Biomateriais Poliméricos do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), estão desenvolvendo um projeto para a obtenção de dispositivos repelentes naturais de mosquitos.

O projeto, coordenado pela farmacêutica bioquímica Sizue Ota Rogero, objetiva a criação de um dispositivo repelente em forma de pulseira, botão ou outro artefato similar, para liberar lentamente substâncias repelentes de origem vegetal, numa combinação de óleos essenciais com eficácia comprovada.

A pesquisadora conta que já existem produtos similares disponíveis no mercado. "No Brasil já existem pulseiras e adesivos repelentes à base de citronela, um tipo de óleo essencial. Porém estudamos o desenvolvimento de pulseiras repelentes contendo um mistura de óleos essenciais de plantas, com propriedades repelentes, que é 100% natural. Além disso, pretendemos que os dispositivos repelentes apresentem liberação lenta dos óleos essenciais, garantindo um tempo de ação prolongado, que suas propriedades sejam seguras para o uso por crianças e gestantes, sem qualquer prejuízo à saúde e que seja econômico", ressalta a pesquisadora.

Óleos essenciais

No projeto financiado pela FAPESP foi enfatizado o estudo de matrizes poliméricas com o objetivo de desenvolver um dispositivo de liberação lenta de óleos essenciais de origem vegetal, com propriedades repelentes.

Sizue complementa: "O produto, uma vez desenvolvido, deverá ser submetido aos testes de eficácia, de segurança e de tempo de duração do efeito desejado, por laboratórios especializados. A matriz polimérica utilizada será a de silicone, por ser biocompatível, não tóxico e não interferir na eficácia do produto. Após incorporação da mistura de óleos essenciais com propriedade repelente para mosquitos, poderão ser confeccionados cordões para uso como pulseiras, além de diferentes formatos para uso como broches ou pingentes".

Esses produtos também poderão ser utilizados em animais de estimação, com a incorporação de óleo essencial com propriedade repelente de pulgas e carrapatos ou simplesmente como adereços perfumados.


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