Revestimento nanotecnológico permite que frutas sejam colhidas maduras

Revestimento nanotecnológico permite que frutas sejam colhidas maduras
As pesquisas identificaram um efeito antifúngico do revestimento que previne a proliferação dos fungos, além de inibir o crescimento de bactérias - a esquerda, a fruta natural e, à direita, a fruta com o revestimento, ambas colhidas ao mesmo tempo.
[Imagem: Agência Brasil]

Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP), têm tido resultados promissores no estudo de nanotecnologias para o agronegócio.

O estudo sobre películas invisíveis e comestíveis de proteção de alimentos tem produzido um material capaz de substituir os materiais utilizados para envolver e proteger alimentos.

Mas, mais importante, a tecnologia permitirá que os alimentos sejam colhidos maduros.

Atualmente, frutas e verduras são retiradas dos pés ainda verdes, ou passam por processos de amadurecimento forçado por produtos químicos, com o objetivo de aumentar seu tempo de consumo.

Segundo o coordenador da pesquisa, Rubens Bernardes Filho, o revestimento poderá diminuir em até 40% o desperdício de alimentos no período que vai da pós-colheita até o transporte e a distribuição. "Além disso, a utilização dessa inovação pode agregar valor às frutas e hortaliças brasileiras destinadas à exportação," diz.

Os alimentos são revestidos por imersão, banhados em uma solução líquida, e secam naturalmente. Ao secar, um filme invisível se forma na superfície, protegendo os alimentos. Esse filme diminui as trocas gasosas e cria uma barreira impedindo a perda de água do alimento.

Com o revestimento, frutas e verduras podem levar até 20 dias para começar a se degradar após a colheita. Sem proteção, os alimentos levam, em média, quatro dias para iniciar o processo de apodrecimento. O período varia de acordo com o tipo de alimento. A maçã, por exemplo, pode ser armazenada, em temperatura ambiente, de cinco a oito dias. Se estiver revestida, esse prazo aumenta para até 17 dias.

Além da maçã, a pesquisa já foi testada em manga, pera, banana, castanhas e hortaliças.

Os filmes comestíveis são produzidos de acordo com cada tipo de alimento e podem ser feitos de amido de milho ou proteínas da soja. "O milho usado para o amido e o óleo da proteína são pouco utilizados, é o rejeito da indústria", diz o pesquisador.

"O revestimento é muito simples. É basicamente colher a fruta, higienizar, fazer uma lavagem. Uma vez higienizada, ela tem que ser envolvida por um filme," explica o pesquisador, acrescentando que o filme é aplicado mergulhando a fruta no líquido contendo as nanopartículas.

As pesquisas identificaram um efeito antifúngico do revestimento que previne a proliferação dos fungos, além de inibir o crescimento de bactérias. Além disso, os estudos indicam que a película pode estimular o consumo.

A tecnologia, possível devido ao tamanho nanométrico das partículas que compõem as películas, ainda não tem previsão de chegar ao mercado.


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