Sistema brasileiro detecta resistência do HIV aos medicamentos

Sistema brasileiro detecta resistência do HIV aos medicamentos
"No momento, estamos realizando os últimos testes de usabilidade, a fim de tornar o sistema ainda mais amigável para o usuário," disse Letícia Raposo.
[Imagem: Divulgação/Coppe]

Resistência do HIV

Letícia Martins Raposo e Flávio Nobre, pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), desenvolveram uma técnica capaz de detectar mutações no vírus HIV que provocam resistência ao tratamento, abrindo caminho para a manifestação da AIDS.

Para se ter uma ideia da importância dessa técnica, basta ver que, em julho passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre a tendência de aumento de resistência do vírus HIV aos medicamentos existentes. No relatório, a OMS aponta que mais de 10% das pessoas em tratamento antirretroviral possuem vírus resistentes a algum medicamento.

"Atualmente, a escolha dos medicamentos empregados no combate ao HIV se baseia nos resultados obtidos pelos sistemas tradicionais, que identificam apenas as mutações majoritárias, ou seja, as que se encontram em alta frequência na população de vírus que circula no paciente (acima de 20%)," explicou Letícia.

Bioinformática

A nova técnica, batizada de Sira-HIV (Sistema de Identificação de Resistência aos Antirretrovirais), é uma ferramenta de bioinformática que permite avaliar de forma rápida e eficiente a resistência de cada paciente às drogas antirretrovirais.

"O Sira torna possível executar uma medicina personalizada, com a aplicação de medicamentos adequados a cada paciente. Os resultados apresentados abrem perspectivas para o desenvolvimento de sistemas similares que, aplicados a outras doenças, poderão prever reações adversas a medicamentos e possibilitar a escolha de outros mais adequados," explicou Flávio.

"O Sira-HIV trabalha com o resultado do sequenciamento de nova geração, o NGS (Next Generation Sequencing), para identificar tanto as mutações majoritárias quanto as minoritárias (acima de 1%) do vírus," detalhou Letícia.

A maioria das ferramentas de bioinformática utilizadas pelos sistemas para identificar as mutações dos vírus exigem do usuário domínio de linguagem de programação, o que limita a utilização pelos laboratórios médicos e pelos pesquisadores que estão buscando avanços na área.

Segundo Letícia, o novo sistema criado no Brasil já fornece diretamente o resultado sobre a resistência a cada medicamento. Além disso, a análise é mais detalhada porque usa um algoritmo que foi desenvolvido especificamente para a caracterização de vírus.

"O Sira-HIV já foi validado. No momento, estamos realizando os últimos testes de usabilidade, a fim de tornar o sistema ainda mais amigável para o usuário," concluiu Letícia.


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