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26/02/2013

Sociedade de consumo banaliza conceito de felicidade

Com informações da Agência USP

Qualidade da felicidade

A tendência à simplificação do que é a felicidade e do que pode tornar as pessoas felizes, própria da necessidade de criar demandas de consumo da sociedade atual, pode produzir uma redução dos diferentes sentidos e interpretações que a felicidade pode ter.

"Neste caso, tanto será menor a qualidade da felicidade quanto mais se fala dela," afirma Luciano Espósito Sewaybricker, autor da pesquisa realizada no Instituto de Psicologia (IP) da USP, sob a coordenação do professor Sigmar Malvezzi.

A definição variada do que é felicidade e a tendência à banalização que a sociedade impõe ao desejo de satisfação, ideia compartilhada pelo conceito de Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, permitiram à Luciano concluir que satisfação "em massa" e imediata não garantirá felicidade.

Conceitos de felicidade

Para a pesquisa, o psicólogo buscou conceituações da felicidade feitas por pensadores de várias épocas para uma aproximação com o conceito de Modernidade Líquida.

Os pensadores selecionados para o estudo foram: Platão, Aristóteles, Zenão de Cítio, Epicuro, Santo Agostinho, Bentham, Kant e Freud.

Alguns deles procuravam aproximar felicidade da virtude, do prazer ou do destino.

O que foi possível, de alguma forma, admitir como comum a todos foi a ideia de que a felicidade é reconhecida como um ideal da existência.

Modernidade Líquida

Após análise de cada pensador, Luciano conciliou essas definições à Modernidade Líquida de Bauman, porque acredita que este conceito faz um bom desenho teórico do que é a sociedade atual.

Segundo Bauman, ao perseguir a "solidez", ou seja, a estabilidade proposta pela modernidade, a sociedade percebeu que o "sólido" é inalcançável.

Com isso, ocorreu uma flexibilização das metas de vida, o que foi metaforizado como "líquido".

Essa flexibilização leva à busca por laços transitórios, planejamentos a curto prazo e gratificações imediatas.

"Em meio à Modernidade Líquida, a humanidade encontra-se privada de uma destinação clara," explica Luciano.

Polissemia

O estudo dos conceitos de felicidade entre os pensadores levaram Luciano a compreender a felicidade como um tema extremamente polissêmico - seus múltiplos significados e interpretações impedem generalizações.

Neste caso, a polissemia do tema pode ser interessante, porque leva a discussão à esfera individual, em detrimento da comunidade, ou coletividade, ou seja, cada pessoa tem sua condição de felicidade mais relacionada às suas concepções, realizações e desejos próprios, permitindo um aprofundamento das reflexões.

Com esta complexidade, é impossível definir uma fórmula da felicidade: cada um se considerará feliz da forma que lhe aprouver.

Por isso, a pergunta proposta no início da pesquisa - "A atual organização social e do trabalho permite a felicidade?" - perdeu o sentido, pois alguma felicidade sempre será promovida, devido aos diversos níveis e formas de satisfação possíveis.

"Felicidade pode ser um meio-termo ou um extremo entre aspectos individuais ou coletivos, entre ideais ascéticos e ontológicos, prazeres e virtudes," diz Luciano, acrescentando que "suprir felicidades não significa que você não volte a um estado de insatisfação".


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