Pessoas negam capacidade de sofrer dos animais para continuar comendo carne

Paradoxo da carne

Um novo estudo acaba de fornecer evidências diretas de que as pessoas que desejam fugir do "paradoxo da carne" - ao mesmo tempo gostar de comer carne e não gostar de ferir os animais - fazem isto negando que os animais que elas comem tinham a capacidade de sofrer.

Ao envolver-se na negação, os participantes do estudo relataram uma quantidade reduzida de animais com os quais eles se sentem obrigados a demonstrar uma preocupação moral - a escala variava de cães e chimpanzés até caracóis e peixes.

O estudo foi coordenado pelo Dr. Steve Loughnan, da Universidade de Kent, no Reino Unido, juntamente com colegas da Austrália.

Negar origem da carne

Antes desse estudo, os pesquisadores consideravam que as únicas soluções para o paradoxo da carne era simplesmente parar de comer carne - uma decisão tomada por muitos vegetarianos - ou não reconhecer que animais são mortos para produzir carne.

Embora poucas pessoas tenham realmente tal ignorância, alguns comedores de carne podem viver em um estado de negação tácita, incapazes de associar um bife com uma vaca, bacon com um porco, ou mesmo frango frito com um frango vivo.

O Dr Loughnan explica: "Algumas pessoas optam por deixar de comer carne quando descobrem que os animais sofrem para que se produza a carne. A esmagadora maioria das pessoas, contudo, não para de comer carne. Nossa pesquisa mostrou que uma forma que as pessoas usam para continuar comendo carne é relaxando sua preocupação moral com os animais ao se sentar à mesa de jantar."

Abrindo mão da moral

O Dr Loughnan também explicou que, em termos gerais, o estudo mostrou que, quando há um conflito entre a maneira preferida de pensar e a maneira preferida de agir, são os pensamentos e padrões morais que as pessoas abandonam primeiro - em vez de mudar seu comportamento.

"Em vez de mudar suas crenças sobre os direitos morais dos animais, as pessoas têm a opção de mudar seu comportamento," disse ele. "Entretanto, nós suspeitamos que a maioria das pessoas não está disposta a negar a si mesmas o prazer de comer carne, e negar os direitos morais dos animais lhes permite manter-se comendo a carne com a consciência limpa," diz o cientista.


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