Butantan produz primeiro soro antiveneno de abelha do mundo

Butantan produz primeiro lote de soro antiveneno de abelha
Quando um adulto é picado por mais de 200 abelhas, o corpo recebe uma quantidade de veneno suficiente para causar lesões nos rins, fígado e coração, debilitando esses órgãos.
[Imagem: Aaron1a12/Wikimedia]

Primeiro no mundo

O Instituto Butantan produziu em larga escala pela primeira vez no mundo um soro contra veneno de abelhas.

Assim que receber a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto será distribuído por hospitais da rede pública.

Os 80 litros de soro começaram a ser produzidos em 2008 e o produto recebeu a patente este ano.

Soro contra picada de abelha

O soro antiveneno de abelha é aplicado por via intravenosa.

Cerca de 20 mililitros (ml) trazem ao corpo uma quantidade de anticorpos capaz de neutralizar 90% dos problemas causados pelas picadas de abelhas africanizadas, as mais comuns no Brasil.

Quando um adulto é picado por mais de 200 insetos, o corpo recebe uma quantidade de veneno suficiente para causar lesões nos rins, fígado e coração, debilitando esses órgãos.

A maioria das mortes acontece pela falência dos rins. Em 2006, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do governo federal, contabilizou 3.500 acidentes com ferroadas de abelhas, com 17 mortes no estado de São Paulo.

Proteínas do veneno

O soro antiveneno de abelha foi desenvolvido durante o doutorado da bióloga Keity Souza, no Laboratório de Imunologia da Faculdade de Medicina da USP. Ela identificou todas as proteínas do veneno das abelhas.

Paralelamente, a equipe de produção de soros do Instituto Butantan injetou o veneno em cavalos para que desenvolvessem anticorpos, moléculas capazes de neutralizar o veneno.

Com os anticorpos retirados dos cavalos, Keity fez testes para checar eficácia do produto e tornar a produção mais eficiente. Ela foi orientada por Mário Palma, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.

Diferentes tipos de abelhas

O investimento em pesquisa para desenvolver o soro foi cerca de R$ 3 milhões, fornecidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Você tem uma tropa de cavalos dedicada exclusivamente à produção de um tipo de soro", explica Palma.

O Instituto Butantan tentou produzir o soro havia dez anos, mas a iniciativa foi abandonada porque os pesquisadores tinham dificuldades em ajustar a quantidade exata de veneno necessária para os testes in-vitro.

Agora, os pesquisadores do laboratório onde Keity trabalha estão identificando as proteínas dos soros de abelhas da Europa e África, para testar se o soro neutraliza venenos de espécies diferentes.

"Pelos testes iniciais, há uma grande chance de isso acontecer", diz a cientista. "Parece que veneno da abelha africanizada é mais complexo, tem mais proteínas, o que aumenta a chance do soro funcionar com outras espécies".

Disponibilidade do soro

Com o lote pronto, a Anvisa vai conferir a validade dos testes feitos pelos pesquisadores, o que deve acontecer em até seis meses.

Depois, o soro vai ficar disponível no Hospital Vital Brazil, da Fundação Butantan, para tratar pacientes que tenham sofrido envenenamento.

Esses pacientes serão acompanhados pela Anvisa e, caso a agência considere os efeitos do soro satisfatórios, ele poderá ser distribuído pelo Ministério da Saúde para os hospitais públicos de todo o País nas áreas onde houver mais relatos de acidentes.

Hospitais privados e governos de outros países poderão comprar o produto da Fundação Butantan.


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