Sorteio de óvulo humano gera polêmica na Grã-Bretanha

Sorteio de óvulo humano gera polêmica na Grã-Bretanha
"Imagine se um dia uma criança descobrir que ele ou ela veio a existir graças a uma descarada iniciativa comercial."
[Imagem: BBC]

Uso comercial

Uma clínica de fertilização de Londres gerou polêmica no país ao anunciar que fará o sorteio de um óvulo humano para ser implantado e fertilizado em uma clínica nos Estados Unidos.

A ganhadora será escolhida entre as participantes de um seminário para mulheres que desejam se submeter à fertilização artificial, marcado para quarta-feira, cujo objetivo é divulgar a recente parceria da clínica Bridge Center, em Londres, com a clínica americana Genetics and IVF Institute (GIVF), na Virgínia.

A ganhadora do sorteio poderá escolher quem será sua doadora, a partir de um banco de dados com informações como origem racial, histórico médico, formação escolar e aspectos físicos.

Comercialização da vida humana

O sorteio foi criticado por grupos de estudo da reprodução assistida, como a organização Comentário sobre Ética Reprodutiva (Core, na sigla em inglês), por comercializar material humano, o que é proibido pela lei britânica.

"A capacidade da indústria de fertilização de mercantilizar a vida humana atinge um novo patamar com essa iniciativa deplorável", disse Josephine Quintavalle, diretora do instituto.

"Imagine se um dia uma criança descobrir que ele ou ela veio a existir graças a uma descarada iniciativa comercial", completou.

Contornando a legislação

Por meio dessa parceria com o centro americano, a Bridge Centre pretende contornar as rígidas regras britânicas para a reprodução assistida, enviando britânicas para receberem os óvulos nos Estados Unidos.

Na Grã-Bretanha, a remuneração por doação de óvulos é proibida. O máximo que a doadora consegue é uma ajuda de custos de 250 libras, ou R$ 670. Por isso, a oferta de óvulos no país é muito restrita.

A GIVF, porém, conta com doadoras de 19 a 32 anos que chegam a receber US$ 10 mil, ou R$ 17,6 mil, por doação. Dessa forma, há muito mais óvulos disponíveis para doação nos Estados Unidos do que na Grã-Bretanha.

Um dos problemas dessa doação de óvulos é que, para doá-los, as mulheres precisam passar por um tratamento pesado, com uso de medicamentos, para ampliar a produção de óvulos por ciclo menstrual.

Óvulos por dinheiro

Diante desse quadro, a Core demonstrou preocupação com essas mulheres que doam seus óvulos por dinheiro.

"Nós temos, no entanto, uma grande preocupação com o bem-estar dessas mulheres, pois a coleta de óvulos não é de maneira alguma um processo livre de riscos e muitas daquelas envolvidas no mercado mundial de óvulos sofreram significativamente como resultado. As consequências mais sérias incluem morte, perda parcial ou total da fertilidade, várias outras complicações médicas e problemas psicológicos também", explicou Quintavalle.

"A clínica de fertilização in vitro envolvida nessa iniciativa está alimentando a vulnerabilidade colossal de mulheres ricas e inférteis ao custo do bem-estar de jovens mulheres pobres e igualmente vulneráveis", acrescentou.

Segundo a Core, a venda de tecidos humanos, como óvulos, é proibida em toda a Europa. Portanto, nenhuma clínica britânica deveria colaborar com esse tipo de medida.


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