Tecnologia brasileira contra malária vira referência mundial

Certificação da OMS

Um medicamento contra malária desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fundação Oswaldo Cruz (Farmaguinhos/Fiocruz) recebeu um aval da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O medicamento, chamado ASMQ, recebeu a pré-qualificação da OMS, uma garantia do alto padrão de qualidade do produto.

A pré-qualificação é uma espécie de registro internacional que permite a distribuição para vários países por meio de um mecanismo de compra centralizado da OMS.

A certificação foi anunciada na Índia, onde o medicamento é fabricado graças à transferência de tecnologia da cooperação Sul-Sul (agenda de discussões entre Brasil, Índia e África do Sul).

Com o aval da OMS, a dose fixa de artesunato (AS) e mefloquina (MQ), desenvolvida pelo Farmaguinhos em parceria com a organização Medicamentos para Doenças Negligenciadas, terá maior facilidade para ser distribuída no Sudeste Asiático.

Tratamentos contra malária

O tratamento com as duas drogas já era usado contra a malária, mas a nova formulação, registrada no Brasil e distribuída pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária desde 2008, oferece tratamento mais fácil e eficiente.

"Quando você tem duas drogas associadas [...] você garante a cura radical da doença, previne o aparecimento de cepas resistentes. Também melhora muito a adesão ao tratamento, quer dizer, o paciente toma o tratamento completo e você tem uma chance maior de cura", explicou André Daher coordenador de pesquisa clínica da Farmanguinhos.

Este é o tratamento para malária com uso do menor número de comprimidos atualmente e pode ser aplicado a partir dos 6 meses de idade.

"Você tem quatro tipos de tratamento, divididos por faixas etárias, mas são todos com uma tomada diária durante três dias e não precisa ser ingerido com nenhum tipo de alimento especial. O fato de ser uma única dose diária melhora muito a adesão do paciente e ele apresenta maior tolerabilidade, com menos efeitos colaterais," disse Daher.


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