Sociedade mobiliza-se contra transgênicos associados a agrotóxico perigoso

Uma variedade controversa de alimentos transgênicos pode ser liberada para comercialização no Brasil.

Trata-se das sementes de milho e soja resistentes ao agrotóxico 2,4-D, utilizado para combater ervas daninhas de folha larga.

Diferentes das comuns, as sementes transgênicas suportam o herbicida sem morrer. Há um temor, no entanto, de que sua presença no mercado estimule o uso excessivo do defensivo agrícola, inclusive em combinação com outras substâncias.

A maior parte dos estudos realizados desde 2006 por universidades e institutos aponta o agrotóxico 2,4-D como causador de danos à saúde humana, animal ou ao meio ambiente.

Os estudos realizados pelas empresas interessadas no lançamento comercial das sementes transgênicas apontam o contrário, e as empresas garantem que ele é seguro.

No momento, os pedidos de liberação comercial de milho e soja transgênicos tolerantes ao herbicida 2,4-D estão sob análise pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Desta vez, a mobilização da sociedade parece estar impedindo a liberação. Na verdade, membros da própria CTNBio apontam que os pedidos das empresas não levam em conta o possível impacto do aumento do uso do herbicida.

O embate levou o Ministério Público Federal a realizar uma audiência pública para discutir o assunto. Participaram aproximadamente 150 pessoas, entre cientistas, professores universitários, representantes de órgãos públicos e da sociedade civil, o que inclui entidades ambientais, de defesa do consumidor e de luta pela reforma agrária.

Herbicida 2,4-D

O principal destaque das participações foi a apresentação do levantamento realizado pela Fundação Oswaldo Cruz de todos os estudos científicos recentes envolvendo o herbicida 2,4-D.

"Um produto transgênico resistente ao 2,4-D só vai causar o aumento do consumo de um agrotóxico que era para ser proibido. Estudos de pesquisadores isentos mostram relação [do agrotóxico] com danos como má-formação fetal, mutações genéticas, câncer. A maioria foi feita em animais de laboratório, mas alguns em população humana," destacou a pesquisadora e toxicologista Karen Friedrich, responsável pelo levantamento.

Para Karen, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deveria reavaliar a permissão para uso do herbicida no país. Consequentemente, não poderiam, também, ser permitidas as sementes transgênicas resistentes a ele.

A substância foi reavaliada pela última vez pela Anvisa em 2006, razão pela qual a Fundação Oswaldo Cruz procurou mapear os estudos científicos feitos desde então. No Brasil, diferentemente do modelo adotado em países em que há reavaliação periódica, quando um agrotóxico é registrado, sua autorização é permanente.

Outro representante da Fundação Oswaldo Cruz, Luiz Cláudio Meirelles, destacou o fato de que o 2,4-D está na classe dos herbicidas que podem liberar dioxina em seu processo de fabricação. Trata-se de uma impureza suspeita de causar danos reprodutivos e alguns tipos de câncer. Há uma preocupação pelo fato de o Brasil não ter laboratório adequado para medir a dosagem de dioxina na sustância. "Acho que é um produto que, no mínimo, tem que ser descontinuado, caminhando para o banimento."

Após a audiência pública de hoje, equipes técnicas do Ministério Público Federal vão redigir pareceres. A partir desse material é que o órgão vai decidir os próximos passos com relação ao 2,4-D e às sementes resistentes ao agrotóxico.


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