Médicos franceses fazem 1º transplante de rosto com pálpebras

Doença do homem elefante

Médicos da França anunciaram que um homem que sofre de uma doença genética passou por um transplante integral de rosto - incluindo, pela primeira vez, as pálpebras e as glândulas lacrimais.

O paciente, Jérôme, de 35 anos, tinha o rosto totalmente desfigurado em razão de uma neurofibromatose, também chamada de "doença do homem elefante", disse o jornal Le Parisien, que divulgou a notícia em exclusividade nesta quinta-feira.

Transplante integral de rosto

"O que é especial nesse transplante é que desta vez incluímos as pálpebras, o que inclui não apenas a pele e os músculos, mas também os canais lacrimais, e nisso residia a dificuldade do transplante", disse o professor Laurent Lantieri, que dirigiu a equipe que fez a operação em um hospital na cidade de Créteil, nos arredores de Paris, à BBC.

"Quando ele se viu no espelho, levantou os dois polegares para cima dizendo que estava satisfeito", revelou o cirurgião.

Do antigo rosto de Jérôme sobraram apenas os globos oculares.

Serviço completo

Essa operação, segundo o médico francês, é mais completa do que a realizada em um paciente espanhol em abril passado e que havia sido considerada na época o primeiro transplante total do rosto - veja como foi feito o primeiro transplante completo de rosto.

"Estou feliz porque o paciente está muito bem. Ele anda, come e fala. A barba já cresceu em seu rosto", afirmou Lantieri em entrevista ao jornal Le Parisien.

De acordo com o cirurgião, Jérôme não apresenta nenhum sintoma de infecção.

O transplante inédito foi realizado nos dias 26 e 27 de junho no hospital público Herni-Mondor em Créteil.

Misturar-se à multidão

Por causa da doença, Jérôme havia se isolado completamente da vida social.

O francês espera agora que seu novo rosto lhe permita "se misturar à multidão como qualquer outra pessoa", escreve o Le Parisien.

Segundo o jornal, o francês passou a ter projetos de vida. Ele quer arrumar um emprego - ele trabalhava como organizador de espetáculos - e também começar uma família.

O professor Lantieri afirma que sua equipe médica estava apta para realizar este último transplante, pois já havia realizado cinco outros transplantes do rosto.

"Fomos capazes de fazer esse transplante porque já havíamos feito outros antes. Ele representa o desenvolvimento de um programa e por isso conseguimos realizá-lo", disse Lantieri à BBC.

Jérôme já havia realizado cerca de quinze cirurgias plásticas. Segundo o professor Lantieri, a doença do paciente havia se agravado nos últimos meses e seu rosto, sobretudo os olhos, estavam muito deformados.

Acompanhamento psicológico

O médico afirma que Jérôme terá acompanhamento psicológico. "Sabemos hoje que o novo rosto assume as formas dos ossos do transplantado e que não há riscos de confusão", afirma Lantieri.

O médico já havia feito o transplante do rosto de um outro francês, Pascal, que sofre da mesma doença genética de Jérôme. Mas Pascal não tinha a parte superior do rosto tão desfigurada e por isso não necessitou de um transplante integral, que incluiu as pálpebras.

Foi também uma equipe médica francesa que realizou, há cinco anos, o primeiro transplante parcial de rosto no mundo. A paciente Isabelle Dinoire havia tido parte de seu rosto desfigurado, sobretudo a boca e o maxilar, devido ao ataque de um cão.


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