20/10/2012

Umbanda e Santo Daime melhoram estado emocional dos praticantes

Com informações da USP

Estados diferenciados de consciência

De um lado o Santo Daime, uma prática religiosa que faz uso sacramental da bebida psicoativa Ayahuasca.

Do outro, a Umbanda, religião tradicional no Brasil, igualmente com rituais fundamentados em práticas de estados diferenciados de consciência.

Pesquisadores do Instituto de Psicologia (IP) da USP queriam saber se há alguma relação entre as práticas associadas com essas formas de religiosidade e a saúde dos seus praticantes.

Suely Mizumoto e Wellington Zangari fizeram suas observações a partir das condições de saúde e de indicadores de bem-estar psicológico e social dos membros das duas religiões.

Autodomínio emocional

Entre as diversas constatações feitas pelos pesquisadores, eles verificaram que os adeptos do Santo Daime e da Umbanda apresentaram diferenças significativas quanto à redução da frequência de mudanças de humor e de sentimentos contraditórios.

E os dois grupos também apresentaram um aumento no domínio próprio sobre essas alterações mentais.

As diferenças foram baseadas nas experiências anteriores e posteriores à participação nos rituais de cada religião.

Quando comparados a um grupo controle - não participantes de práticas similares -, os adeptos das duas religiões mostraram ter maior equilíbrio de humor e emoção.

Os praticantes do Santo Daime ainda revelaram ter maior domínio sobre quadros de base depressiva.

Já na Umbanda, o aumento de domínio foi mais aparente em experiências de alteração de identidade.

Transes mediúnicos

Segundo os pesquisadores, a comunidade religiosa, provedora de apoio emocional, material e afetivo, pode também ser compreendida como uma comunidade terapêutica para as condições psicológicas estressantes.

Os adeptos podem encontrar em suas comunidades suporte em momentos de fragilidade.

É comum a quem desconhece a questão do transe mediúnico temer algum tipo de aumento na mediunidade ou descontrole.

No entanto, Suely diz que, "na verdade, o aprendizado que essas religiões proporcionam pode ensinar seus adeptos a ter um domínio maior quanto ao enfrentamento espiritual dessas questões, diminuindo experiências mediúnicas traumatizantes".

Ayahuasca

A pesquisa tratou ainda da polêmica em torno da utilização do psicoativo Ayahuasca.

Geralmente condenado, o uso do psicodélico mostrou associar a experiência de cura espiritual - desfrutada por participar aos rituais - a mudanças no estilo de vida dos usuários.

A ruptura de velhos padrões e a adoção de outros novos e saudáveis causou reflexo no combate ao risco de dependências da nicotina, álcool, cannabis sativa (maconha) e cocaína.

O ritual com a Ayahuasca aumentou, em altas porcentagens, a recuperação declarada quanto ao abuso e risco de dependência para usuários das substâncias citadas.

Na esfera da afetividade, a Ayahuasca serviu como uma espécie de antidepressivo, ou como a psicóloga conta, "aqueles que faziam parte dos rituais com o psicoativo diziam ter os períodos muito longos de tristeza cada vez menores e mais raros, como se a Ayahuasca fosse equivalente a um 'banho de serotonina'".

Segundo Suely, "é possível que a busca por uma religião que faça uso da ayahuasca possa resultar em efeitos terapêuticos para aqueles vulneráveis a quadros bipolares ou à depressão".

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