Ver:

 Temas
 Enfermidades





RSS Diário da Saúde

Twitter do Diário da Saúde

23/09/2011

USP faz vestibular para moléculas em busca de novos medicamentos

Redação do Diário da Saúde
USP faz vestibular para moléculas em busca de novos medicamentos
Outro pré-requisito para serem selecionadas é que as moléculas tenham a capacidade de se ligar aos receptores biológicos. [Imagem: USP]

Vestibular para moléculas

Pesquisadores da USP estão fazendo uma espécie de "vestibular para moléculas", procurando aquelas mais adequadas para o desenvolvimento de fármacos e novos medicamentos.

O "vestibular" deverá ser concluído até o início de 2012, a partir de quando começarão os testes biológicos com as moléculas selecionadas.

Os pesquisadores estão se concentrando em moléculas potencialmente úteis para o controle do câncer e a arterosclerose, mas não descartam a identificação de compostos ativos contra outras doenças.

Fator de crescimento beta

Kathia Maria Honório e seus colegas estão procurando moléculas que inibem a atividade do fator transformador de crescimento beta (TGFβ), responsável por estimular a divisão celular.

O TGFβ é uma molécula produzida em vários pontos do organismo e está relacionado com processos biológicos em diversas fases da vida.

"Durante a fase embrionária, por exemplo, ele se liga ao receptor biológico e sinaliza a divisão celular, estimulando o crescimento", explica Kathia. "Essa mesma molécula, no caso de doenças como o câncer ou arterosclerose, por exemplo, pode sinalizar de forma desenfreada a divisão de células anormais, como as que formam tumores, levando a processos nocivos ao corpo."

Capacidade de ligação

Outro pré-requisito para serem selecionadas é que as moléculas tenham a capacidade de se ligar aos receptores biológicos.

Com isto, elas poderão ser usadas para inibir a sinalização que desencadeia a divisão celular.

"Uma vez comprovada sua ação, essas moléculas poderão ser usadas como fármacos para controlar o desenvolvimento de doenças", afirma Káthia.

A seleção é feita por meio de modelos computacionais, programas que simulam as substâncias bioativas e os efeitos de seu contato com os receptores biológicos, num processo conhecido como docagem molecular.

"Nesta etapa são planejadas moléculas que se encaixem nos receptores", conta a professora. "Esse planejamento e as simulações são feitos a partir de informações sobre as proteínas e enzimas que compõem os receptores".

Síntese molecular

A próxima etapa da pesquisa será a síntese ou a obtenção das moléculas selecionadas, quando então elas serão submetidas a testes biológicos para verificar se existe afinidade real com os receptores.

"Se os resultados forem positivos, será feita uma nova etapa de testes, inicialmente com animais (pré-clínicos) e depois com seres humanos (clínicos) para que as moléculas possam ser usadas em fármacos", diz Kathia.


Ver mais notícias sobre os temas:

Desenvolvimento de Medicamentos

Medicamentos Naturais

Medicamentos

Ver todos os temas

Mais lidas na semana:

Dor de cabeça: Conheça aquelas que exigem tratamento

Vacina contra dengue pode fazer mais mal que bem em alguns locais

Os muitos mitos sobre as Dores nas Costas

Medicamento desenvolvido no Brasil combate origem da hipertensão

Carne vermelha todo dia faz mal? Especificamente que mal?