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02/09/2013

Vírus da dengue é mais estável do que se pensava

Com informações da Agência Fapesp

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que o vírus da dengue (DENV) sofre mutações em um ritmo muito mais lento do que se imaginava.

Essa é uma boa notícia porque aumentam as chances de se encontrar uma vacina eficaz contra a dengue.

Para chegar a tal conclusão, os cientistas sequenciaram o genoma completo de milhares de partículas virais encontradas em pacientes diagnosticados durante a epidemia que atingiu a Baixada Santista em 2010, quando foram notificados 33 mil casos de dengue tipo 2 na região.

A variabilidade genética do vírus encontrada em um mesmo indivíduo (intra-hospedeiro) foi de aproximadamente 0,002% - muito menor do que a apontada em estudos anteriores.

"Os trabalhos anteriores usaram métodos tradicionais de sequenciamento, bem mais trabalhosos e caros. Por isso, apenas uma determinada região do genoma era analisada e nem todas as partículas virais eram amostradas. Em nossa pesquisa, graças às técnicas de sequenciamento em larga escala, geramos praticamente uma sequência completa para cada partícula de vírus existente na amostra, o que dá uma profundidade de análise muito maior", conta a pesquisadora Camila Malta Romano.

Como as amostras foram coletadas em diferentes momentos da epidemia, entre fevereiro e junho, também foi possível observar que o vírus se manteve praticamente estável durante todo o surto, acrescentou Romano.

Uma das hipóteses dos cientistas para explicar a menor variabilidade genética do DENV (vírus da dengue) em relação aos outros vírus de RNA é o fato de ele ter de se alternar entre dois hospedeiros muito diferentes - mosquito e homem - para completar seu ciclo de transmissão.

"Do ponto de vista evolutivo, essa alternância entre um vertebrado e um invertebrado exerce uma pressão muito forte para que o DENV não mude muito. Se ele acumular muitas mutações, pode perder a adaptação que o torna capaz de se replicar tanto no homem quanto no mosquito. Esse tipo de mecanismo evolutivo já foi demonstrado para o vírus causador da febre amarela", disse Camila.

Outra possível explicação para a maior estabilidade do DENV está relacionada ao fato de a dengue ser uma infecção aguda - que dura entre 5 e 10 dias.

"O organismo não tem tempo para montar uma resposta imunológica específica contra o vírus. É diferente do HIV, por exemplo, que causa uma doença crônica, está em constante briga com o sistema imune e precisa se modificar o tempo todo para driblar as defesas do organismo. No caso do DENV, essa pressão seletiva é menor", concluiu a pesquisadora.


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