Vírus viram arma contra bactérias resistentes aos antibióticos

Vírus viram arma contra bactérias resistentes aos antibióticos
Ilustração artística de um vírus bacteriófago que poderá ser uma nova arma contra as infecções causadas por bactérias resistentes aos antibióticos.
[Imagem: Corneyl Jay/SPL]

Vírus contra bactérias

Um vírus comedor de bactérias poderá ser a nova arma para tratar infecções causadas por microorganismos que estão se tornando cada vez mais resistentes aos antibióticos.

Médicos da Universidade College London, Inglaterra, acabam de completar com sucesso os primeiros testes clínicos com um vírus bacteriófago, chamado Biophage-PA, que se mostrou capaz de destruir a bactéria Pseudomonas aeruginosa, causadora de fortes infecções no ouvido.

Resistência aos antibióticos

Os antibióticos têm sido eficazes no combate às infecções há décadas. Mas as bactérias têm armas contra eles: elas evoluem para se tornar resistentes aos antibióticos, seja secretando enzimas que os destroem, seja desenvolvendo mecanismos internos que expulsam os compostos químicos do medicamento do interior de suas células.

Com o desenvolvimento da resistência aos antibióticos pelas bactérias, doenças tidas como de fácil controle, como pneumonia e tuberculose, estão se tornando cada vez um problema de saúde pública.

Vírus destrói biofilmes

A Pseudomonas aeruginosa, causadora de infecções no ouvido, é particularmente difícil de combater porque as bactérias individuais se juntam para formar biofilmes, colônias que desenvolvem uma camada de açúcares e proteínas que as tornam até 1.000 vezes mais resistentes aos antibióticos.

Mas, com uma única dose do vírus Biophage-PA, que somente ataca esta bactéria, os médicos conseguiram curar pacientes que sofriam de infecções de ouvido causados por biofilmes de bactérias que não respondiam mais aos antibióticos.

Os vírus comedores de bactérias destroem os biofilmes de Pseudomonas aeruginosa, mas não atacam nenhuma outra bactéria no organismo.

Dose única

A maior vantagem do novo medicamento é o fato de ser tomado em dose única, ao contrário dos antibióticos, que exigem uma longa sequência de doses.

O esquecimento e o abandono do tratamento por parte dos pacientes estão entre as principais causas do aumento do desenvolvimento de resistência aos antibióticos por parte das bactérias.

Agora os médicos iniciarão novos testes de longo prazo, para verificar se as bactérias também conseguem desenvolver resistência aos vírus.


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