Você vai usar camisinha? Não é o que, mas como você diz, que conta

Você vai usar camisinha? Não é o que você diz que conta, mas como você diz
A maneira como uma mulher negocia o uso do preservativo influencia o modo como ela é percebida pelo seu parceiro e se o preservativo será de fato usado ou não.
[Imagem: Wikimedia/Whitedeer]

Formas de falar

Se é o homem ou a mulher quem sugere o uso do preservativo não influencia a forma como ele ou ela é visto pelo parceiro ou parceira.

No entanto, quando a mulher é quem sugere, a forma como ela faz essa sugestão faz diferença.

Se ela destaca a sua sexualidade, incorporando o preservativo ao cenário sexual como uma atividade divertida e erótica, outras mulheres as julgam mais severamente do que se ela simplesmente se recusar a ter relações sexuais sem o uso do preservativo ou se ela fala sobre sua preocupação com as doenças sexualmente transmissíveis.

Negociação da camisinha

A Dra. Michelle Broaddus e seus colegas da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, examinaram os efeitos do sexo do proponente e da sua estratégia de negociação para o uso do preservativo na forma como esse proponente passa a ser percebido pelos outros.

A pesquisa acaba de ser publicada no jornal Sex Roles.

O sexo seguro depende do uso dos preservativos e há algumas evidências de que a forma como os casais falam e negociam o uso do preservativo influencia como o proponente é visto e se o preservativo será realmente utilizado durante a relação sexual ou não.

Utilizando duas teorias da sexualidade e uma teoria de papéis sociais como pano de fundo, os autores realizaram dois estudos observando como as mulheres que sugerem o uso do preservativo são percebidas em comparação com os homens (Estudo 1), e como estratégias específicas de negociação do uso da camisinha afetam a percepção de uma mulher que as utiliza (Estudo 2).

Percepção pelos outros

No primeiro estudo, 150 estudantes assistiram três vídeos de encontros sexuais - em um o homem sugeria o uso do preservativo, noutro a mulher e, no terceiro, ninguém sugeria. Após verem os vídeos, foi pedido que os estudantes julgassem como o proponente foi visto por seus parceiros. Eles também deram sua opinião sobre se o casal filmado acabou tendo ou não relações sexuais e, se o fizeram, quais as chances deles terem usado o preservativo.

Os autores descobriram que os proponentes do preservativo foram vistos como mais maduros e menos românticos do que os indivíduos que não sugeriram o uso do preservativo.

A mulher não foi avaliada mais severamente do que o homem e, na verdade, ela foi vista como menos promíscua quando propôs o uso da camisinha do que quando isso não aconteceu.

Os participantes viram o uso do preservativo como igualmente provável não importando quem havia sugerido seu uso.

Estratégias de negociação da camisinha

No segundo estudo, 193 estudantes leram descrições de encontros sexuais nos quais a mulher usou uma de três estratégias de negociação do uso da camisinha:

  • explicação, isto é, explicando ou compartilhando suas preocupações com as doenças sexualmente transmissíveis;
  • recusa, ou seja, sem sexo a menos que se usasse o preservativo;
  • erotização, ou seja, como o sexo poderia ser quente com uma camisinha e quão desinibida e sexy ela se sentiria
  • .

Pediu-se então aos alunos que dessem suas impressões do caráter da mulher com base em uma seleção de características.

Mulheres julgando mulheres

As estudantes do sexo feminino classificaram as proponentes femininas como sendo menos legais, mais promíscuas e menos parecidas como o tipo de dona de casa quando ela usou a estratégia da erotização, sugerindo que as mulheres são mais duras com relação às outras mulheres que destacam sua sexualidade.

As proponentes também foram vistas como mais excitantes. Os participantes também perceberam o casal como mais propenso a ter sexo quando a mulher utilizou a estratégia da erotização.

Não houve diferença no modo como a personagem feminina foi avaliada quando ela usou as estratégias de recusa ou explicação - ambas estratégias tradicionais. Finalmente, o uso do preservativo foi visto como igualmente provável nos três cenários.

Conteúdo informativo para o sexo seguro

Os autores concluem: "Esta linha de pesquisa tem implicações tanto para a pesquisa básica sobre os papéis de cada gênero (...) assim como para a pesquisa aplicada para o desenvolvimento de conteúdo informativos visando a redução dos riscos para os homens e as mulheres sobre como se comunicar mais eficazmente com os parceiros quando o objetivo é se engajar em práticas sexuais mais seguras."


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