02/05/2022

Cigarros eletrônicos alteram estado inflamatório do cérebro, coração, pulmões e intestino

Redação do Diário da Saúde
Cigarros eletrônicos alteram estado inflamatório do cérebro, coração, pulmões e intestino
Pesquisas mais específicas já haviam mostrado que os cigarros eletrônicos aromatizados estão associados a doenças cardiovasculares. Além disso, o problema para os fumantes passivos continua com os cigarros eletrônicos.[Imagem: Sarah J./Pixabay]

Cigarros eletrônicos Juul

O uso diário de cigarros eletrônicos altera o estado inflamatório em vários sistemas e órgãos, incluindo cérebro, coração, pulmões e cólon.

Os efeitos também variam dependendo do sabor do cigarro eletrônico e podem influenciar como os órgãos respondem a infecções, incluindo aquela promovida pelo SARS-CoV-2.

Esta é a conclusão do primeiro estudo a avaliar os chamados dispositivos JUUL e seus aromatizantes usando uma perspectiva geral, multi-órgão.

"Esses cigarros eletrônicos baseados em cápsulas só se tornaram populares nos últimos cinco anos, então não sabemos muito sobre seus efeitos a longo prazo na saúde," disse a Dra Laura Alexander, da Universidade da Califórnia de San Diego.

As maiores taxas de uso de cigarro eletrônico estão entre adultos jovens, com idades entre 18 e 24 anos, o que levanta preocupações sobre o uso das substâncias a longo prazo, durante toda a vida da pessoa.

Apesar da popularidade desses produtos, as pesquisas científicas sobre cigarros eletrônicos têm sido amplamente limitadas a estudos de uso de curto prazo, aparelhos mais antigos, como canetas ou vaporizadores recarregáveis, e líquidos eletrônicos com concentrações de nicotina significativamente mais baixas do que os mais recentes sistemas baseados em cápsulas recarregáveis.

Efeitos dos cigarros eletrônicos

A equipe se concentrou na marca de cigarros eletrônicos mais proeminente, JUUL, e seus sabores mais populares: menta e manga. Para modelar o uso crônico dos cigarros eletrônicos, camundongos adultos jovens foram expostos a aerossóis JUUL aromatizados três vezes ao dia, durante três meses. Os pesquisadores então procuraram sinais de inflamação em todo o corpo.

Os efeitos mais marcantes ocorreram no cérebro, onde vários marcadores inflamatórios ficaram elevados. Mudanças adicionais na expressão de genes neuroinflamatórios foram observadas no núcleo accumbens, uma região do cérebro crítica para a motivação e o processamento de recompensas. Isto levanta grandes preocupações, disseram os pesquisadores, já que a neuroinflamação nessa região tem sido associada à ansiedade, depressão e comportamentos viciantes, o que pode exacerbar ainda mais o uso e o vício de substâncias.

A expressão dos genes inflamatórios também aumentou no cólon, particularmente após um mês de exposição ao cigarro eletrônico, o que pode aumentar o risco de doença gastrointestinal. Em contraste, o coração apresentou níveis diminuídos de marcadores inflamatórios, mas esse estado de imunossupressão pode tornar o tecido cardíaco mais vulnerável à infecção.

Embora os pulmões não tenham mostrado sinais de inflamação no nível do tecido, foram observadas várias alterações na expressão gênica, exigindo um estudo mais aprofundado dos efeitos a longo prazo dos cigarros eletrônicos baseados em cápsulas na saúde pulmonar.

O sabor importa

Os pesquisadores também descobriram que a resposta inflamatória de cada órgão variou dependendo de qual sabor JUUL foi usado. Por exemplo, os corações dos camundongos que inalaram aerossóis de hortelã foram muito mais sensíveis aos efeitos da pneumonia bacteriana, em comparação com aqueles que inalaram aerossóis de manga.

"Cada órgão tem seu próprio ambiente imunológico bem ajustado, de modo que perturbar esse equilíbrio através do uso de cigarros eletrônicos pode levar a muitos efeitos à saúde a longo prazo," concluíram os autores.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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