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22/06/2026 Desigualdade econômica mata muito mais que todos os tipos de câncer juntosRedação do Diário da Saúde![]()
Por que o progresso não acaba com a desigualdade econômica? [Imagem: Creative Canvas/Pixabay]
Muito pior do que o câncer A relação entre saúde e riqueza é bem documentada, exercendo um impacto impressionante na expectativa de vida. Por exemplo, nos Estados Unidos pessoas ricas vivem em média até 14 anos a mais do que pessoas pobres. É uma diferença gritante. Por exemplo, se conseguíssemos eliminar todas as formas de câncer do mundo, isso representaria um ganho de apenas três anos a mais na longevidade média, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Até hoje, a desigualdade econômica tem sido assunto para os economistas. Mas os professores Daniel Connolly (Universidade de Princeton), Nick Chater (Universidade de Warwick) e George Loewenstein (Universidade Carnegie Mellon) acreditam que está na hora de os psicólogos entrarem no assunto. A ideia é que os psicólogos ajudem não apenas e melhorar nossa compreensão da desigualdade econômica, mas também lancem novas luzes sobre o efeito devastador que ela impõe sobre as populações mais pobres. Ao explorar as dimensões psicológicas da desigualdade econômica, a expectativa é que se possa propor políticas públicas que visem combater a desigualdade e seus efeitos. "Como é possível que a desigualdade econômica continue tão marginal na agenda política das sociedades democráticas, mesmo com a riqueza sendo constantemente canalizada para uma pequena minoria em detrimento da maioria?" escreveram os três pesquisadores. ![]() Quem acredita que o sistema econômico é justo importa-se menos com a desigualdade. [Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay] Viés do enquadramento individual A equipe discute várias dimensões psicológicas envolvidas na desigualdade social, destacando o que chamam de "viés do enquadramento individual", uma tendência a tentar compreender e explicar resultados sociais em termos de características pessoais, como talento e disposição, desconsiderando os fatores sistêmicos (enquadramento sistêmico), que favorecem alguns indivíduos em detrimento de outros em nível muito maior do que qualquer diferença individual. As soluções propostas a partir da perspectiva desse enquadramento individual focam em mudanças de cada indivíduo, como se eles tivessem a consciência do problema, o roteiro do que fazer e os meios para fazê-lo. Já o enquadramento sistêmico foca na necessidade de atualizar leis, normas sociais e outras convenções que moldam comportamentos e atitudes não apenas dos indivíduos, mas também das organizações e entidades públicas e privadas. A equipe reconhece que mudar essa situação não é fácil porque ela não é neutra, beneficiando justamente os principais tomadores de decisão. "O viés do enquadramento individual parece ser especialmente prevalente entre as elites que se beneficiam dos arranjos existentes," escrevem os autores. ![]() Desigualdade econômica promove aumento da intolerância. [Imagem: Luis A. Martinez-Vaquero] Como enfrentar a desigualdade econômica Após argumentarem sobre a importância da psicologia para a compreensão da política da desigualdade econômica, os autores delineiam medidas para alcançar uma maior igualdade, incluindo menções a impostos, sindicatos, normas culturais e sociais e ação coletiva. Eles também abordam como muitos dos desafios discutidos têm o potencial de se agravarem ainda mais na era da IA generativa. "A trajetória econômica futura da IA e suas consequências são, obviamente, difíceis de prever," diz o artigo. "Mas, se de fato chegarmos a algum tipo de mundo 'pós-emprego', os impactos psicológicos e econômicos serão enormes, e as respostas políticas podem precisar ser radicais." Em um comentário na mesma edição da revista, o professor Michael Kraus e seus colegas da Universidade Northwestern delineiam uma abordagem para a política da desigualdade que coloca o público no centro. "Essa abordagem, argumentamos, é benéfica porque não se limita a insights de uma única história disciplinar nem se restringe aos tipos de desigualdade que pode estudar," escreveram Kraus e sua equipe. "Em vez disso, uma abordagem centrada nas pessoas para a psicologia política da desigualdade caracteriza-se pela sua abertura e pluralismo em termos de pessoas, métodos, disciplinas e epistemologias." Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br URL: A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos. |
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