20/02/2026

Duas ações morais moldam imagem dos outros mais fortemente

Redação do Diário da Saúde

Mais valor para a propriedade

Todos os dias, e quase o tempo todo, silenciosamente julgamos as pessoas ao nosso redor: Será que aquele colega dividiu os brindes de forma justa? Será que o vizinho vai devolver minha encomenda que lhe foi entregue por engano? Mas aquele sujeito está furando a fila! O juiz não respeitou as regras do jogo!

Mas parece que nem todas as ações morais são julgadas da mesma forma, e dois tipos se destacam: A justiça com que alguém trata os outros e o respeito pelo que pertence a outras pessoas, ou seja, pela propriedade de bens materiais.

Em uma série de experimentos, os pesquisadores descobriram que atos que envolvem igualdade e propriedade influenciam fortemente a forma como percebemos o caráter de alguém, o quanto confiamos nessa pessoa e até mesmo se estamos dispostos a cooperar com ela no dia a dia. Esses julgamentos acontecem de forma rápida, consistente e mesmo quando nossa atenção está dispersa.

"A justiça e o respeito pela propriedade podem ser os comportamentos morais mais importantes quando se trata de confiança social," afirma Savannah Adams, que fez o estudo com colegas das universidades de Michigan e Illinois (EUA).

Os pesquisadores destacam que seus resultados revelam que as pessoas consideram a justiça e o respeito pela propriedade como sinais essenciais de caráter, e que julgamos essas qualidades de forma eficiente.

Mas o que isso significa na vida real? "Esses julgamentos rápidos podem, na verdade, captar algo importante - justiça e respeito pela propriedade podem ser ótimos sinais de que alguém é confiável. Ainda assim, como tomamos essas decisões tão rapidamente e com pouca informação, sempre vale a pena analisar com mais atenção," disse o professor Oscar Ybarra.

Duas ações morais moldam imagem dos outros mais fortemente
É imoral ser excessivamente rico?
[Imagem: Wikimedia/Svilen.milev]

Ética da propriedade

Os psicólogos sabem há muito tempo que a moralidade consiste em diferentes domínios, como ajudar a família, retribuir favores, respeitar a autoridade, compartilhar com a comunidade, tratar as pessoas com igualdade e respeitar a propriedade alheia.

Mas o que os pesquisadores estão considerando agora é como esses diferentes comportamentos morais podem deixar diferentes tipos de impressão em cada um. Para isso, eles realizaram experimentos com centenas de adultos, que assistiram a breves descrições de comportamentos cotidianos realizados por personagens fictícios. Alguns exemplos incluíam ajudar/recusar-se a ajudar um membro da família; seguir/quebrar regras estabelecidas por uma autoridade; e tratar as pessoas igualmente ou demonstrar favoritismo.

A igualdade (tratamento justo/igualitário) e a propriedade (respeito ao que pertence aos outros) foram os aspectos que desencadearam as reações mais fortes, tanto positivas quanto negativas. Quando alguém agia com justiça ou respeitava a propriedade alheia:

  • A pessoa era vista como altamente moral e íntegra.
  • Seu comportamento era atribuído ao seu verdadeiro caráter (em contraposição a meramente um ato falho).
  • As pessoas estavam mais dispostas a confiar e cooperar com eles.

O oposto também foi verdadeiro: Quando alguém violava essas normas, era julgado com severidade. Além disso, suas ações eram vistas como um reflexo de "quem realmente eram", e as pessoas se mostravam menos dispostas a interagir, compartilhar ou confiar nelas. Mesmo quando os participantes estavam mentalmente sobrecarregados - tentando memorizar longas sequências numéricas enquanto julgavam os outros - suas reações à justiça e às violações de propriedade permaneceram fortes.

"Isso sugere que esses julgamentos são automáticos e intuitivos, não o resultado de um pensamento lento e cuidadoso," observou Ybarra.

Enquanto isso, outros comportamentos morais, como coragem, lealdade à comunidade ou deferência à autoridade, tiveram uma importância relativamente menor na formação das primeiras impressões sobre o caráter do praticante da ação/omissão.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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