16/06/2026

Estudantes universitários estão mais perfeccionistas do que nunca

Redação do Diário da Saúde

Preocupações, não aspirações perfeccionistas

Os estudantes universitários ocidentais estão sentindo mais pressão para terem um desempenho "perfeito" do que há uma geração.

E esse aumento no perfeccionismo, comum no oriente, mas pouco documentado no ocidente, pode estar ligado a fatores sociais e econômicos, como o aumento da desigualdade e a desaceleração do crescimento econômico, descobriram os pesquisadores.

"O perfeccionismo é um risco para a saúde pública, estando associado ao aumento da depressão e da ansiedade," disse o professor Thomas Curran, da Escola de Economia e Ciência Política de Londres (Reino Unido). "Se quisermos enfrentar a crise de saúde mental entre os jovens, precisamos nos concentrar nesses fatores culturais e econômicos."

A equipe analisou dados de 307 estudos científicos realizados entre 1989 e 2024, envolvendo mais de 82.000 estudantes universitários norte-americanos, canadenses e britânicos. Todos os estudos pediram aos alunos que se autoavaliassem usando uma de duas escalas padrão de perfeccionismo.

No geral, houve um aumento nas taxas de perfeccionismo autodeclarado entre 1989 e 2024. Os dados também mostraram que, desde o início dos anos 2000, diferentes aspectos do perfeccionismo aumentaram em ritmos distintos: As "preocupações perfeccionistas" (medo do fracasso, indecisão e medo de ser julgado negativamente pelos outros) aumentaram muito mais rapidamente do que as "aspirações perfeccionistas" (a motivação para estabelecer padrões extremamente elevados e trabalhar arduamente para alcançá-los).

Estudantes universitários estão mais perfeccionistas do que nunca
Estratégias de meditação podem ajudar os perfeccionistas.
[Imagem: Cortesia Janaina de Lima/Wikimedia]

Perfeccionismo versus redes sociais

Os pesquisadores também analisaram como as taxas de perfeccionismo se sobrepõem às condições econômicas ao longo do tempo e entre os países. A desaceleração do PIB per capita mostrou-se associada a taxas mais altas de aspirações perfeccionistas, enquanto o aumento da desigualdade econômica mostrou-se associado a aumentos mais acentuados nas preocupações perfeccionistas.

"Quando há falta de oportunidades econômicas, os jovens parecem compensar com a busca por sucesso," comentou Curran. "E quando a desigualdade aumenta, o que se observa é que o medo e a preocupação em cometer erros e com a opinião alheia começam a se tornar características mais centrais da psicologia dos jovens."

Os pesquisadores também descobriram que a ligação entre perfeccionismo e saúde mental permaneceu estável ao longo do tempo - níveis mais altos de perfeccionismo foram associados a sintomas de saúde mental, incluindo depressão e ansiedade, independentemente do período analisado. Como o perfeccionismo aumentou com o tempo, os pesquisadores afirmam que ele pode ser um fator no aumento dos problemas de saúde mental.

"Estas descobertas fornecem um contexto adicional para os debates recentes sobre a saúde mental dos jovens," disse Curran. "Os celulares e as redes sociais têm recebido muita culpa, mas o aumento do perfeccionismo é anterior às redes sociais. Este estudo sugere que algo mais profundo está em jogo."

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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