23/06/2022

Falta de vitamina D na gestação afeta desenvolvimento muscular dos meninos

Com informações da Agência Fapesp
Falta de vitamina D na gestação afeta desenvolvimento muscular dos meninos
Há algum tempo os cientistas vêm alertando que o exagero no uso de filtros solares causa deficiência de vitamina D, sobretudo nas crianças. E vários estudos confirmam que a falta de luz solar e de vitamina D aumenta o risco de câncer.[Imagem: FRL/UCR]

Vitamina D na gravidez

A falta de vitamina D durante a gestação está ligada ao desenvolvimento de uma série de doenças na fase adulta - desde problemas de crescimento até diabetes, obesidade e esclerose múltipla.

Agora, uma pesquisa realizada na USP de Ribeirão Preto (SP) mostrou que a vitamina D também é fundamental para o crescimento e o desenvolvimento dos músculos ao longo de toda a vida dos filhos homens - mas não das meninas.

Nutriente obtido por meio da alimentação, mas principalmente sintetizado pelo organismo humano após exposição à radiação solar, a vitamina D é um hormônio que atua na saúde óssea, no crescimento, na imunidade e no metabolismo.

Como não seria eticamente aceitável privar mães intencionalmente do nutriente, os pesquisadores trabalharam com animais de laboratório, que têm a vantagem adicional de terem vida muito curta, permitindo monitorar as consequência ao longo de toda a sua vida.

Vitamina D e músculos

Os experimentos mostraram que a deficiência de vitamina D materna afeta seletivamente o desenvolvimento de fibras musculares do tipo 2 (o chamado músculo branco) nos filhotes machos. Essas fibras atrofiaram mais durante o período juvenil (prole com 21 dias).

Uma novidade bem-vinda foi a observação de que, ao longo da vida do animal, os filhotes machos conseguem se recuperar e se adaptar à deficiência porque o próprio músculo é capaz de produzir a vitamina D na vida adulta.

O que intrigou os pesquisadores e demandará mais estudos é o motivo de a prole fêmea ter sido protegida das alterações induzidas pela deficiência materna. Uma das hipóteses é que a proteção esteja ligada a algum hormônio, como o estrogênio, ou a algo na placenta.

"A descoberta de que o músculo do animal adulto deficiente é capaz de compensar a deficiência endógena de hormônio circulante aumentando sua produção interna, para mim, como fisiologista, é muito gratificante porque abre um campo de pesquisa enorme. Podemos avaliar, por exemplo, se o exercício físico estimula esse sistema," disse o professor Luiz Navegantes, que orientou o trabalho da pesquisadora Natany Garcia Reis, responsável pelos experimentos.

Segundo a equipe, os resultados trazem mensagens relevantes, que reforçam a importância da vitamina D durante a gestação e a lactação. "Trazemos um novo olhar clínico, destacando a importância fisiológica do hormônio não só para os ossos, mas chamando a atenção para a força muscular," completou o professor Luiz.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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