20/03/2020

Gostamos mais do perdão, mas adoramos ver punições

Redação do Diário da Saúde
Gostamos mais do perdão, mas adoramos ver punições
E a coisa muda com a idade: conforme envelhecem, as pessoas tornam-se juízes mais rígidos.[Imagem: Akseli Gallen-Kallela/Wikimedia]

Vingança e perdão

Pesquisas já comprovaram que a vingança não é tão doce quanto diz o ditado, ainda que as crianças pareçam nascer sabendo como se vingar.

No outro extremo da questão, perdoar também é uma questão complicada - a maioria das pessoas confunde perdão com punição.

Uma olhada no campo do entretenimento - livros e filmes - pode ajudar a entender melhor a questão, difícil de simular em experimentos reais. O que se vê nessa área é que as pessoas gostam de ver os bandidos receberem seu castigo mais do que vê-los sendo perdoados.

Baseando-se nesse conhecimento, Matthew Grizzard e seus colegas da Universidade do Estado de Ohio (EUA) tiveram a ideia de usar histórias como meio de experimentação.

Eles descobriram que, ainda que as pessoas tenham gostado menos das histórias de perdão - confirmando os experimentos anteriores -, elas consideraram essas narrativas mais significativas e instigantes do que aquelas nas quais os bandidos recebem suas justas punições.

"Nós gostamos de histórias nas quais os transgressores são punidos e, quando eles recebem mais punição do que merecem, achamos divertido," comentou Grizzard. "Ainda assim, as pessoas apreciam mais as histórias de perdão, mesmo que não as considerem tão divertidas".

Perdão versus punição

O experimento envolveu 184 estudantes universitários que liam narrativas curtas contadas como tramas para possíveis episódios de televisão.

Os alunos leram 15 narrativas: em um terço delas o vilão foi tratado positivamente pela vítima; em um terço o vilão recebeu uma punição justa; e em um terço o vilão foi punido além do que seria uma penalidade adequada pelo crime.

Por exemplo, uma história envolvia uma pessoa roubando US$50 de um colega de trabalho. Os participantes leram um dos três finais possíveis.

No primeiro cenário, a vítima comprou café para o ladrão (sub-retribuição/perdão); na segunda, a vítima roubou uma garrafa de uísque de US$ 50 do ladrão (retribuição equitativa); e, na terceira versão, a vítima roubou seu dinheiro de volta e baixou pornografia no computador do ladrão (retribuição excessiva). Imediatamente após a leitura de cada cenário, os participantes indicavam se haviam gostado ou não da narrativa.

"Um número maior de pessoas gostou das histórias de retribuição equitativa mais do que daquelas que envolveram retribuição aquém ou além do razoável," disse Grizzard.

Gostamos mais do perdão, mas adoramos ver punições
É muito mais fácil perdoar e livrar-se da raiva quando o agressor toma a iniciativa e pede desculpas. Mas cuidado com alguns conceitos equivocados sobre o que é perdão.
[Imagem: Wikimedia/Joxemai]

Instinto para punir

Os pesquisadores também cronometraram quanto tempo os leitores levaram para clicar no botão de curtir ou não no computador depois de ler cada uma das narrativas.

Os leitores levaram menos tempo para responder às histórias com retribuição equitativa do que para responder às histórias com retribuição insuficiente ou excessiva.

"As pessoas têm uma resposta instintiva sobre como pensam que as pessoas devem ser punidas por transgressões e, quando uma narrativa cumpre o que elas esperam, geralmente respondem mais rapidamente," disse Grizzard.

Mas, quando chegou a hora de dar notas para as histórias, os voluntários votaram mais nas histórias sobre perdão do que nos outros dois tipos de narrativas. "Portanto, os participantes podem ter parado para refletir um pouco antes de responder às histórias de perdão, porque as consideraram mais significativas," disse Grizzard.

No geral, os resultados sugerem que uma retribuição justa e equitativa é o "padrão moral intuitivo" que nos chega fácil e naturalmente.

"Mas ver a falta de punição requer um nível de deliberação que não chega até nós naturalmente. Podemos apreciá-la, mesmo que não pareça particularmente agradável," finalizou o pesquisador.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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