26/08/2019

Conforme envelhecem, pessoas tornam-se juízes mais rígidos

Redação do Diário da Saúde
Conforme envelhecem, pessoas tornam-se juízes mais rígidos
Os cientistas também têm-se preocupado com o perdão, alguns estudos mostram que o perdão é mais fácil em relacionamentos longos.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Idosos julgam mais severamente

À medida que as pessoas envelhecem, elas são mais propensas a condenar os outros por suas ações e exigem mais punição por atos que causam danos, mesmo quando o responsável não tinha intenção de causar dano.

"Embora os adultos mais velhos sejam capazes de empatizar com as intenções de alguém ao fazer uma avaliação moral, eles parecem menos propensos a fazê-lo do que os indivíduos mais jovens quando essas ações causam danos," disse a professora Janet Geipel, da Universidade de Chicago (EUA), coordenadora do estudo.

Testando a severidade

A equipe de Geipel realizou uma série de experimentos diferentes para avaliar como adultos mais jovens (com idades entre 21 e 39 anos) e adultos mais velhos (com idades entre 63 e 90 anos) avaliariam moralmente ações acidentalmente prejudiciais e acidentalmente benéficas.

O primeiro experimento envolveu 60 participantes igualmente divididos em jovens e adultos mais velhos. Cada participante foi apresentado a oito cenários hipotéticos em que as ações de uma pessoa resultavam em um efeito positivo ou negativo. Em cada caso, o cenário foi descrito de tal forma que o participante poderia inferir se o ato tinha a intenção de causar o resultado que ele causou, ou se o dano ou benefício seria simplesmente um acidente.

Após cada cenário com um resultado negativo, os participantes deviam julgar a imoralidade da ação descrita e quanto a pessoa responsável deveria ser punida. No caso de um resultado positivo, os participantes deviam julgar a bondade do ato e quanto ela deveria ser recompensado. Os participantes responderam a todas as perguntas em uma escala de zero a dez.

Por exemplo, em um cenário, um personagem chamado Joana e uma amiga estão em um barco em uma parte do mar com muita água-viva venenosa. A amiga pergunta se pode nadar, e Joana (sabendo que a água não é segura) diz para ela ir em frente. A amiga vai nadar, fica ferida e entra em choque. Em outra versão do cenário, Joana leu (incorretamente) que a água viva local era inofensiva e, sem saber, coloca sua amiga em risco.

Os adultos mais velhos foram mais propensos a condenar os atos acidentalmente prejudiciais e recomendaram que Joana fosse punida, mesmo quando a ação prejudicial não era intencional.

Disposição para condenar

A equipe projetou a seguir dois outros conjuntos de experimentos, com vários cenários, acrescentando nuances, como negligência, excesso de cuidados, resultados neutros e má intenção deliberada. Os resultados mudaram pouco, e os voluntários mais velhos continuaram, em média, a impor sanções mais rígidas a todos os tipos de resultados negativos.

"Nós descobrimos que, enquanto os adultos mais jovens condenam mais severamente ações negligentes do que ações não negligentes, os participantes mais velhos condenam igualmente ambos," disse Geipel. "Os resultados sugerem que os adultos mais velhos podem dar menos importância às intenções do acusado e mais aos resultados negativos que o acusado produziu. Simplificando, os presentes resultados sugerem que os adultos mais velhos podem ser mais propensos a condenar."


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