25/05/2026

Os mentirosos atrapalham as pesquisas em ciências sociais

Redação do Diário da Saúde

O caso das teorias da conspiração

As teorias da conspiração estão ajudando os sociólogos e demais cientistas sociais a aprimorarem suas ferramentas de pesquisa, que sempre sofrem de níveis indesejados de incerteza porque tipicamente dependem de respostas momentâneas e nem sempre criteriosas de pessoas sendo entrevistadas.

Matt Williams e colegas de universidades da Austrália e Nova Zelândia queriam saber especificamente qual é o percentual de pessoas que mentem ao responder pesquisas desse tipo, e usaram as teorias da conspiração como balão de ensaio.

Foram entrevistadas 810 pessoas para tentar descobrir especificamente quantas estavam respondendo sinceramente. Para isso, os pesquisadores apresentaram uma teoria da conspiração tão absurda que ninguém conseguiria acreditar: A de que o exército canadense está desenvolvendo um exército de elite de guaxinins gigantes, geneticamente modificados e superinteligentes, para invadir países vizinhos.

Também foram apresentadas teorias da conspiração conflitantes, perguntando aos entrevistados se estavam brincando, trolando ou mentindo de alguma forma.

O resultado mostrou que 13,3% dos entrevistados podem ser classificados como insinceros - na verdade, 8,3% admitiram abertamente terem mentido em algum momento. Surpreendentemente ou não, 7,2% endossaram a teoria da conspiração dos guaxinins armados sem sinais de estarem mentindo.

Só por diversão

A descoberta mais importante, contudo, é que as pessoas categorizadas como insinceras por um dos métodos também se mostraram muito mais propensas a endossar teorias da conspiração.

A equipe afirma que os pesquisadores devem considerar esse percentual de entrevistados em suas amostras ao realizar pesquisas, já que as respostas insinceras mais que dobraram alguns resultados que apoiavam teorias da conspiração, indicando que as pesquisas sobre esse tema específico podem ser infladas por pessoas que estão apenas se divertindo enquanto respondem os questionários.

"Além disso, descobrimos que as relações entre a adesão a teorias da conspiração e preditores bem estabelecidos (paranoia, crença em um mundo perigoso, reflexão cognitiva e confiança, mas não ansiedade) apresentaram interações significativas com a insinceridade. Embora ainda haja alguma incerteza quanto à validade dos métodos que utilizamos para detectar a insinceridade, nossas descobertas sugerem que respostas insinceras podem distorcer os resultados empíricos relacionados à crença em teorias da conspiração. Os pesquisadores não devem presumir que todo respondente de pesquisa que endossa uma teoria da conspiração realmente acredita nessa teoria," escreveu a equipe.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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