22/04/2021

Livre arbítrio é a chave para combater extremismo online

Redação do Diário da Saúde
Para combater o extremismo online, o livre arbítrio é a chave

Sim, você pode

Ao fazer um levantamento das atitudes que as pessoas expressam online, em sites de mídias sociais, pesquisadores tiveram uma surpresa.

Quando as pessoas eram explicitamente informadas de que eram livres para aceitar ou rejeitar afirmações radicais - de propaganda ou de ódio -, elas se mostraram muito mais propensas a escolher uma visão mais equilibrada do que o radicalismo que viam.

O aviso era genérico, simplesmente enfatizando a autonomia da pessoa, seu livre arbítrio para decidir se concordava ou não com a mensagem. Para aferir o resultado, os pesquisadores mediam os sentimentos de cada voluntário logo após a exposição.

Os resultados indicam, portanto, que é possível criar campanhas de mensagens para proteger os indivíduos contra a adoção de pontos de vista extremistas, que colaboram para a cisão social.

"É irônico, se você pensar bem. Empoderar os indivíduos a fazerem escolhas quando se deparam com mensagens extremistas parece ajudar as pessoas a resistir a tais alegações. O que esta pesquisa mostrou é consistente com outras descobertas: Você tende a ver uma tendência de que as pessoas farão a escolha certa," comentou o professor Douglas Wilbur, da Universidade do Texas em San Antonio (EUA).

Manipulação psicológica

As estratégias de contrapropaganda largamente usadas pela sociedade ocidental - contra o comunismo, por exemplo - têm-se valido da chamada "teoria da inoculação de atitude". De forma análoga à forma como as vacinas inoculam as pessoas contra um vírus, a comunicação pode usar a inoculação psicológica por meio da exposição a mensagens opostas e a técnicas para resistir aos pontos de vista que se quer evitar.

Como resultado, as pessoas treinam e constroem sua imunidade psicológica para resistir a futuras tentativas de persuasão. Elas não aprendem a avaliar os pontos de vista conflitantes, mas a estratégia tem funcionado bem no campo político e em tempo de guerra.

Para combater o extremismo online, o livre arbítrio é a chave
Com tanta manipulação de opiniões, alguns pesquisadores agora começam a se preocupar com o direito individual sobre o próprio cérebro.
[Imagem: NeuroRights Initiative/Divulgação]

Mas há outros meios de agir.

Neste estudo, Wilbur testou duas estratégias de contrapropaganda para aumentar a resistência das pessoas à propaganda extremista.

Uma é baseada na teoria da autodeterminação, que argumenta que as pessoas são curiosas, ativas e buscam saúde, desde que suas necessidades psicológicas sejam atendidas. Para que essa teoria faça sentido, cada indivíduo precisa ter poder e controle sobre suas ações.

A outra estratégia testada baseia-se na chamada teoria da reatância psicológica, que assume que as pessoas têm fortes reações negativas quando sentem que sua liberdade está ameaçada.

De fato, ambas as campanhas produziram menor concordância com as mensagens extremistas quando comparadas à condição de controle - independentemente da filiação política, ou seja, funcionaram tanto para pessoas progressistas quanto para conservadoras.

Empoderamento

O grande benefício dessas campanhas baseadas no empoderamento é que elas podem ser construídas com antecedência e não são específicas para um determinado assunto - mantenha o aviso e as pessoas serão capazes de resistir mais ao extremismo pensando por si mesmas.

"Se pudéssemos levar as pessoas a pensar que têm autonomia, então sim, elas teriam mais probabilidade de resistir às mensagens propagandistas," disse Wilbur. "Podemos até construir mensagens sobre a vacina contra covid-19, campanhas que dizem às pessoas que elas podem escolher se querem tomar a vacina ou não."

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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