03/09/2020

Pessoas tomam melhores decisões quando essas decisões beneficiam outras

Redação do Diário da Saúde
Pessoas tomam melhores decisões quando beneficiam outras
O aprendizado e a tomada de decisões relacionados a si mesmo usa apenas o sistema de avaliação neural, aceitando piores resultados para si mesmo.[Imagem: Lengersdorff et al. - 10.1523/JNEUROSCI.0842-20.2020]

Altruísmo

Por mais esclarecedor que tenha sido, o darwinismo trouxe um efeito colateral que ainda afeta forte e negativamente o desenvolvimento de vários campos da ciência: A noção de que os humanos são motivados por interesses egoístas e estão sempre tentando derrotar os outros, pensando unicamente na reprodução.

É claro que os seres humanos não funcionam assim, e vários estudos têm mostrado os erros do neodarwinismo exacerbado, de revezes dentro da própria teoria da sobrevivência do mais apto, até a evolução agindo contra o egoísmo. Em suma, aplicar a teoria da evolução aos humanos é complicado, para dizer o mínimo.

E um novo experimento vem se somar a esse corpo de conhecimento que, nos humanos, aponta para a sobrevivência do mais bondoso.

Os resultados mostraram que as pessoas aprendem melhor e tomam decisões melhores quando tentam evitar causar danos para outras pessoas.

Melhor em beneficiar o outro que a si mesmo

Tudo começou conforme esperado pelos cientistas, com os participantes do experimento aprendendo um jogo mais rapidamente quando ganhavam dinheiro para si próprios do que para outra pessoa. No entanto, esse padrão mudou quando o dano físico entrou na equação.

Lukas Lengersdorff e seus colegas da Universidade de Viena (Áustria) queriam estudar a eficácia com que as pessoas aprendem a evitar danos a si mesmas e aos outros. Enquanto jogavam um jogo envolvendo dar choques elétricos em si mesmo ou nos outros, os voluntários passaram por exames de ressonância magnética funcional (fMRI).

Eles precisavam escolher entre dois símbolos abstratos: Um tinha grande chance de causar um choque elétrico indolor, enquanto o outro tinha pouca chance de causar um choque doloroso - em si mesmo ou em outra pessoa. A modelagem computacional revelou que os participantes eram melhores em fazer escolhas ideais - resultando no mínimo de dor - quando faziam a escolha para outra pessoa, ao invés de para si mesmos.

Os voluntários mais empenhados em evitar o choque mostraram maior ativação no córtex pré-frontal ventromedial, uma área do cérebro envolvida na avaliação de decisões. A escolha para outra pessoa também foi associada à atividade sincronizada entre essa área do cérebro e a junção temporoparietal, uma região implicada na avaliação dos estados emocionais de outras pessoas.

Isso implica, interpretam os pesquisadores, que o aprendizado e a tomada de decisões relacionados a outras pessoas resultam da colaboração entre o sistema de avaliação neural e o cérebro social, enquanto o aprendizado e a tomada de decisões relacionados a si mesmo usa apenas o sistema de avaliação neural, o que, para estranheza dos cientistas, pode até causar piores resultados para si mesmas.

 

Fonte: Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br

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