16/12/2019

Teoria evolutiva da sobrevivência do mais apto sofre um revés

Redação do Diário da Saúde
Teoria de Darwin da sobrevivência do mais apto sofre um revés
Os experimentos mostram que a evolução é muito mais complexa do que os cientistas acreditavam.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Evolução complicada

Cientistas afirmam ter observado pela primeira vez a evolução se desviar da teoria universalmente aceita da evolução biológica pela sobrevivência do mais apto.

Alex Nguyen e seus colegas da Universidade Harvard (EUA) fizeram a descoberta usando um dos organismos mais utilizados pelos cientistas para estudar a evolução: a levedura, ou fermento.

Aprendemos na escola que a evolução "é lenta" e envolve a "sobrevivência do mais apto".

"Acontece que a evolução molecular não funciona dessa maneira. Na verdade, é muito mais rápida do que aprendemos. Isso torna a evolução muito mais complexa do que o previsto," explicou Alex Nguyen.

A evolução como ensinada nas escolas foi sistematizada matematicamente nas últimas duas décadas. No entanto, experimentos de laboratório não foram capazes de provar ou refutar a teoria, pois permitem apenas examinar o processo com alta resolução por um curto período de tempo, ou com baixa resolução por um longo período de tempo.

Neste novo estudo, no entanto, foram finalmente realizados os dois tipos de experimentos. "Pudemos identificar todas as mutações benéficas relevantes," disse Nguyen, citando novas tecnologias que permitiram à equipe monitorar genomas (ou linhagens) específicos por aproximadamente 1.000 gerações.

Teoria de Darwin da sobrevivência do mais apto sofre um revés
Esta não é a primeira vez que a teoria da "sobrevivência do mais forte" é questionada.
[Imagem: Wikimedia]

Evolução do mais apto é questionada

O que a equipe descobriu inclui algumas surpresas. De acordo com a teoria existente, o DNA "mais apto" seria o que aparecesse com mais frequência nas gerações subsequentes.

No entanto, as observações mostram "flutuações" nessa frequência que as teorias atuais não conseguem explicar. A evolução continua ocorrendo, mas não são apenas os chamados "mais aptos" que sobrevivem.

"Mutações e genótipos que parecem ter ficado para trás podem saltar e dominar," disse a pesquisadora Ivana Cvijovi.

Qual é o inteiro significado disso, disse Ivana, é algo que ainda terá que ser respondido por pesquisas futuras. No entanto, é patente que os resultados implicam que a evolução é ainda mais complexa do que se pensava anteriormente, com o mecanismo simplista de mutações que se provam "aptas" frente ao ambiente e seriam assim passadas à frente não sendo capaz de explicar o que realmente ocorre.

"Nosso experimento sugere que pode haver uma grande variedade de um grande número de mutações fortemente benéficas. E seus benefícios são muito fortes e muito diferentes uns dos outros," disse Ivana.

Melhores vacinas

Além de sugerir uma mudança em uma das teorias mais famosas e mais bem-sucedidas de todos os tempos - a teoria da evolução de Darwin -, a descoberta terá resultados práticos em larga escala, incluindo uma vacina melhor contra a gripe.

Ocorre que, para fabricar a vacina contra a gripe, é necessário prever quais cepas dos vírus estarão presentes no próximo ano, ou a vacina não será boa.

"Temos a sequência de todas essas cepas de gripe e estamos observando a evolução delas. O que você deve ser capaz de fazer é ver como elas evoluíram no passado e prever o futuro de quem vai ganhar e quem vai perder. O problema é que não sabemos como fazer essa previsão," conta o professor Michael Desai.

As questões são bem básicas: "Há esse enxame de mutações que estão acontecendo constantemente. Como eles disputam entre si e o que determina quem ganha?" exemplifica Desai.

Checagem com artigo científico:

Artigo: High-resolution lineage tracking reveals travelling wave of adaptation in laboratory yeast
Autores: Alex N. Nguyen Ba, Ivana Cvijovic, José I. Rojas Echenique, Katherine R. Lawrence, Artur Rego-Costa, Xianan Liu, Sasha F. Levy, Michael M. Desai
Publicação: Nature
Vol.: 575, pages 494-499
DOI: 10.1038/s41586-019-1749-3
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