Oscar da Science vai para a reprogramação celular


[Imagem: Kit Rodolfa/John Dimos]

Reprogramação celular

A revista Science, uma das mais conceituadas publicações científicas do mundo, escolheu a reprogramação celular, a transformação de um tipo de célula em outro, como o avanço científico mais importante do ano de 2008.

Além do progresso científico, outro grande feito da reprogramação celular é contornar o problema do uso de embriões humanos, porque a técnica tornará possível transformar um tipo de célula em outro, eventualmente dispensando o uso das células-tronco embrionárias.

A descoberta da reprogramação celular não foi um feito isolado. Ele foi alcançado por uma série de grupos de cientistas trabalhando paralelamente.

Células da pele viram células-tronco

Os primeiros resultados vieram na verdade no final de 2007, quando duas equipes independentes de pesquisadores, no Japão e nos Estados Unidos, conseguiram reprogramar células adultas da pele humana, transformando-as em células pluripotentes.

Essas células pluripotentes são capazes de se diferenciar em outros tecidos do corpo, da mesma forma que as células-tronco embrionárias, mas sem a destruição de embriões (veja detalhes da pesquisa em nossa reportagem Células-tronco a partir da pele não eliminarão uso de células embrionárias).

Transformando um tipo de célula em outro

A seguir, em Setembro deste ano, outra equipe de cientistas conseguiu transformar diretamente um tipo de célula adulta totalmente formada em outro tipo de célula adulta.

Usando uma técnica chamada reprogramação direta, os cientistas transformaram células exócrinas de camundongos, que formam cerca de 95% do pâncreas, nas preciosas e raras células beta produtoras de insulina.

A técnica é chamada de reprogramação direta porque ela não exige a transformação das células adultas em células-tronco para, a partir daí, serem induzidas a se diferenciar no tipo de célula desejado (veja os detalhes da pesquisa na reportagem Células produtoras de insulina são criadas sem uso de células-tronco).

Células da pele viram neurônios

E, finalmente, outro grupo de cientistas conseguiu transformar células da pele de um portador de esclerose amiotrófica lateral (ELA) em neurônios. Com isto, passou a ser possível reproduzir em laboratório as células doentes, o que permitirá o estudo muito mais preciso de diversos tipos de doenças (leia sobre esta descoberta em nossa reportagem Células da pele viram neurônios).

Desafios a serem vencidos

Apesar dos avanços, as células produzidas pela técnica de diferenciação ainda não estão prontas para serem utilizadas diretamente em pacientes. A técnica utilizada para sua produção exige que um vírus seja injetado na célula. A aplicação da nova célula em um paciente incorreria no risco de que o paciente viesse a ser infectado pelo próprio vírus.

Outro desafio para a ciência é compreender exatamente como se dá o processo de diferenciação em que uma célula adulta se transforma em outro tipo de célula. Isso é importante para se garantir que a célula diferenciada não retorne ao seu modelo original, o que poderia criar um tumor no paciente.


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