Pesquisa da USP avalia ação do xilitol e do flúor contra bactérias da boca

Pesquisa da USP avalia ação do xilitol e do flúor contra bactérias da boca
O diferencial desta pesquisa é o fato de que até pouco tempo testes laboratoriais eram realizados enfocando apenas poucas bactérias de cada vez para avaliar os efeitos de agentes antimicrobianos.
[Imagem: Ag.USP]

Xilitol

Pesquisadores da USP, ligados à Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), pesquisadores acabam de solicitar a patente de um verniz dentário contendo xilitol que visa a prevenção da cárie dentária.

Agora, os cientistas estão realizando estudos laboratoriais para verificar como acontece a ação desse verniz, e também do flúor, em biofilmes orais.

O xilitol é um açúcar naturalmente encontrado em muitas plantas e frutas que desde a década de 1970 vem sendo estudado por causa das suas características anticariogênicas.

Placa dentária

"Biofilmes orais, comumente conhecidos como placa dentária, são formados pela colonização de bactérias na superfície dos dentes. Os biofilmes são constituídos por várias bactérias, entre elas estreptococos do grupo mutans", explica a fonoaudióloga Agnes de Fátima Faustino Pereira, que está fazendo sua pesquisa na Academisch Centrum Tandheelkunde Amsterdam (ACTA), na Holanda.

O diferencial desta pesquisa, segundo Agnes, é o fato de que até pouco tempo testes laboratoriais eram realizados enfocando apenas poucas bactérias de cada vez para avaliar os efeitos de agentes antimicrobianos.

"Agora estamos aprendendo uma técnica onde conseguimos simular exatamente todas as bactérias existentes na boca", revela. "Conseguimos desenvolver esse biofilme 'diferenciado' em laboratório por meio de um modelo desenvolvido pelo pesquisador Rob Exterkate, da ACTA, que recebeu o nome de Modelo de Rob", conta a fonoaudióloga.

Modelo de Rob

Agnes explica que o Modelo de Rob é composto por uma placa de aço onde são inseridos 24 espécimes (dentes bovinos) em peças fixadas à placa. Depois de encaixados nas peças, os cientistas colocam esses dentes em soluções que simulam boas condições de crescimento bacteriano.

Em seguida, diferentes concentrações de xilitol e flúor serão aplicados para o tratamento do biofilme desenvolvido. Por meio de análises os pesquisadores vão verificar se os antimicrobianos são eficazes para interferir no crescimento das bactérias responsáveis pela cárie dentária.

"Nossos estudos envolvem testes com bactérias isoladas e com o que chamamos de 'microcosmos' [com várias bactérias juntas]. Pesquisas utilizando microcosmos possibilitam simular uma condição mais aproximada do ambiente bucal, que pode ter mais de 700 tipos diferentes de bactérias", esclarece a fonoaudióloga.

Bactérias selvagens

A cientista explica que os testes estão sendo feitos também com bactérias geneticamente modificadas.

O Streptococcus mutans, assim como outras bactérias, têm um sistema de defesa chamado de VicRK. Toda vez que a bactéria é submetida a um estresse oxidativo, quando exposta a um antimicrobiano, por exemplo, esse sistema VicRK entra em ação.

"Vamos testar o xilitol e o flúor em S. mutans selvagens [que apresentam esse sistema de "defesa" chamado VicRK] e em S. mutans sem o VicRK. Essa pesquisa será importante para esclarecer o potencial gerado pelo xilitol e pelo flúor na produção de estresse oxidativo na bactéria", destaca.

Xilitol e flúor serão testados isoladamente em cada um dos experimentos.

Estudos com biofilmes

Segundo a pesquisadora, realizar estudos laboratoriais com biofilmes é muito complexo. Desenvolver biofilmes orais in vitro, diz Agnes, não é uma técnica simples e cada vez mais é importante simular as condições bucais em laboratório para compreender o mecanismo de atuação bacteriana e testar a ação de antimicrobianos.

Agnes aponta que além de levar a técnica de estudos sobre estresse oxidativo em Streptococcus mutans geneticamente modificados para o Brasil, há também uma importante etapa que os pesquisadores estão aprendendo e que será trazido para o País por intermédio desta pesquisa: o desenvolvimento de biofilmes orais neste novo modelo conhecido por Modelo de Rob.

"Assim que retornarmos, testaremos essa técnica com outros tipos de bactérias", conta a pesquisadora. De acordo com ela, seu retorno está previsto para maio de 2010.


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