Acelerador de partículas brasileiro fará estudos na área de saúde

Entre os aceleradores de partículas em construção no mundo, apenas o Sirius, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP), e o Max IV, na Suécia, terão resolução capaz de identificar estruturas de células complexas como as de mamíferos, entre outras possibilidades de pesquisa em diversos campos.

Ao contrário dos aceleradores voltados para colisões entre partículas, como o LHC, esses aceleradores são voltados para gerar fontes de luz de alta potência e pureza.

Essa e outras similaridades das iniciativas brasileira e sueca em geração de luz síncrotron de quarta geração, pioneiras no mundo, foram destacadas como importantes potenciais de colaboração entre as comunidades científicas dos dois países durante um evento em São Paulo.

"Estamos falando de duas comunidades acadêmicas que já possuem importantes colaborações, mas cujos potenciais ainda podem ser mais bem explorados, especialmente diante das possibilidades de pesquisa surgidas com o desenvolvimento das novas fontes de radiação síncrotron do Brasil e da Suécia", disse Leif Kirsebom, da Universidade de Uppsala.

Acelerando pesquisas em saúde

Entre essas possibilidades está a tomografia de células de mamíferos.

Os aceleradores Sirius e Max IV serão as primeiras máquinas que permitirão esse tipo de estudo, acompanhando processos que são importantes não só para tratamento de doenças, mas para várias outras questões ligadas à saúde e à biologia.

"Trabalhos pioneiros poderão ser feitos nesses laboratórios, possibilitando o entendimento de uma forma mais profunda da biologia celular", disse Antônio José Roque da Silva, diretor do LNLS.

"Os síncrotrons de terceira geração, os mais modernos em operação hoje em dia, possibilitaram uma revolução na área de imagens e tomografia devido à coerência do feixe, o que permite técnicas de imagens mais precisas, como tomografias de células individuais, a exemplo do que se faz em partes do corpo humano, mas chegando a uma escala de identificação das estruturas subcelulares. Como os feixes de terceira geração têm uma limitação de tamanho, não é possível fazer técnicas em células maiores, como as de mamíferos", explicou Antônio.

Fisiopatologia

"Temos convicção de que as fontes de luz síncrotron de quarta geração ajudarão a elucidar questões-chave dessa fisiopatologia, cuja mortalidade é altíssima, em torno de 40%. Isso porque não se trata de desenvolver novas drogas, mas de regular a máquina que ventila o pulmão do paciente. Para isso é preciso entender em profundidade o problema, na intimidade do pulmão, com o auxílio de imagens com a precisão que só o Sirius e o Max IV fornecerão," disse João Batista Borges, também da Universidade de Uppsala.

Borges trabalha na Universidade de Uppsala em pesquisas com tomografia por emissão de pósitrons (PET, na sigla em inglês), mapeando se uma unidade pulmonar está inflamada e identificando em que região a inflamação se originou, intuindo qual o mecanismo naquela região que iniciou o processo e testando estratégias protetoras de ventilação mecânica. De acordo com o pesquisador, "a radiação síncrotron de quarta geração possibilitará uma tomografia do pulmão em resoluções espaciais em escala nanométrica, o que uma tomografia convencional não permite".

O Max IV já está sendo comissionado e deverá ser aberto para usuários no próximo ano. O início das operações do Sirius está previsto para 2018.


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