Adolescentes com sobrepeso e obesidade têm mastigação diferente

Adolescentes com sobrepeso e obesidade têm mastigação diferente
As meninas apresentam comportamentos ainda mais característicos na mastigação.
[Imagem: Wikimedia/Franz Niklaus König]

Mastigação e peso

Adolescentes com sobrepeso ou obesidade têm uma mastigação diferente dos adolescentes com peso normal.

Esta descoberta um tanto curiosa foi feita por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os adolescentes com peso acima do recomendado apresentam frequência maior de alterações nos músculos da face e de hábitos prejudiciais à nutrição. A mastigação também difere entre meninos e meninas.

"Os testes não determinaram se a alteração está relacionada às causas do sobrepeso e da obesidade ou aos seus efeitos, mas ajudam na compreensão sobre quais comportamentos e hábitos precisam ser observados e corrigidos na alimentação desses adolescentes. As alterações miofuncionais podem acarretar desequilíbrios esqueléticos e musculares, entre outros problemas," explicou Paula Midori Castelo, principal responsável pela pesquisa.

"Há um consenso entre dentistas e fonoaudiólogos de que é importante se alimentar e mastigar devagar, em ambos os lados do arco dentário, para que o alimento possa ser triturado e processado adequadamente antes da deglutição, evitando-se ainda hábitos que dificultem sua absorção, como a ingestão de líquidos enquanto come", completou.

Mastigação feminina

De acordo com a pesquisa, as meninas com sobrepeso ou obesidade mastigam com maior frequência de um lado só, impedindo que a mandíbula, que possui articulações bilaterais, atue igualmente de ambos os lados. Isso pode levar, entre outros problemas, a alterações estruturais de um dos lados do arco dentário, além de prejuízos à formação do bolo alimentar e perdas nutricionais.

"É comum ouvir que o indivíduo que come rápido demais não mastiga direito, engolindo o alimento ainda pouco triturado, mas o homem tem mais massa muscular e mais força física, conseguindo com menos tempo imprimir maior força na mastigação e processar melhor a comida. Também há aspectos culturais envolvidos, como o hábito de meninas mastigarem com mais delicadeza.

"Quando mastigamos por mais tempo, tendemos a comer menos, porque a informação do processamento do alimento vai sendo transmitida ao sistema nervoso central e os hormônios que levam ao sentimento de saciedade vão sendo liberados. Dessa forma, quem mastiga rápido, ainda que com a força adequada, pode tender a comer mais. É preciso observar a própria mastigação," concluiu a pesquisadora.


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