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01/11/2011

Atenção básica pode evitar 50% das internações infantis

Com informações da Agência USP

Internações desnecessárias

Cerca de metade das internações infantis acontecem por doenças respiratórias e poderiam ser evitadas se as crianças recebessem tratamento adequado na atenção primária.

Esta é uma das informações reveladas no estudo realizado por Beatriz Rosâna Gonçalves, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

Beatriz analisou as causas desse fato e quais eram as falhas da atenção básica, propondo uma mudança no sistema de saúde, que deveria se tornar mais integrado e humanizado para que essa porcentagem de internações desnecessárias seja reduzida.

Causas evitáveis

O objetivo da enfermeira era entender o porquê do alto número de internações pelas chamadas causas evitáveis, isto é, problemas que deveriam ter sido resolvidos já no ambulatório, no primeiro contato do paciente com o atendimento médico.

A pesquisadora constatou que 50% das internações eram por infecções respiratórias não-crônicas, como gripe sinusite e pneumonia.

Ao analisar o funcionamento da atenção básica, ela observou que seus princípios básicos não estavam sendo implementados e que os pacientes que procuram ajuda não conseguem de forma satisfatória, o que resulta em um maior número de internações.

Os princípios básicos são o do acesso de primeiro contato (ou seja, o paciente conseguir chegar ao posto de saúde), a resolução (conseguir que seu problema seja resolvido), a longitudinalidade (a mesma UBS conseguir resolver seus problemas ao longo do tempo) e a integralidade (se uma unidade não consegue resolver, deve-se encaminhar para alguma outra).

Além disso, o profissional deve exercer o cuidado da família e a orientação comunitária.

Integração do sistema de saúde

Beatriz sugere a adoção de um sistema mais integrado de serviços de saúde, onde os princípios da atenção básica sejam implementados, que o foco esteja no usuário e que haja a humanização do cuidado do paciente.

Para a enfermeira, é essencial fazer com que os municípios reflitam sobre sua organização da saúde básica e tentem mudar suas práticas, "pois do jeito que é feito hoje, vivemos em um faz-de-conta, apenas temos a ilusão de que estamos tratando da saúde."


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