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05/09/2011

Bactéria do solo ajuda a destruir células de câncer

Redação do Diário da Saúde

Bactérias contra o câncer

Nos últimos dias, pelo menos duas pesquisas divulgaram avanços importantes no uso de vírus para combater células cancerígenas.

Agora, porém, é a vez das bactérias.

Um grupo de cientistas europeus descobriu que uma linhagem da bactéria Clostridium sporogenes - uma bactéria comum no solo - ataca diretamente células tumorais no organismo.

Ação da bactéria

Os esporos da bactéria são injetados no organismo, mas apenas se desenvolvem nas condições encontradas no interior dos tumores sólidos, onde eles produzem uma enzima bacteriana específica.

A seguir, um fármaco anticâncer é injetado separadamente, em uma forma inativa, que os cientistas chamam de "pró-droga".

Quando a pró-droga atinge o tumor, a enzima da bactéria do solo ativa a droga, permitindo que ela destrua apenas as células nas suas vizinhanças, ou seja, as células do próprio tumor.

Como a ação é local, a droga não atinge os tecidos saudáveis, evitando os efeitos colaterais próprios das quimioterapias.

Testes da nova terapia

Os pesquisadores das universidades de Nottingham e Maastricht, no Reino Unido, introduziram um gene no DNA da bactéria C. sporogenes para "melhorar" a enzima produzida pelos esporos.

Isso permite que a enzima seja produzida em quantidades muito maiores quando os esporos atingem o tumor, além de ser mais eficaz na ativação da pró-droga.

Com isto, os médicos esperam obter a autorização para colocar a terapia em testes, que poderiam começar em 2013.

Bactérias que não gostam de oxigênio

"As Clostridia são um antigo grupo de bactérias que se desenvolveram no planeta antes de haver uma atmosfera rica em oxigênio, ou seja, elas se desenvolvem em condições de baixo oxigênio.

"Quando os esporos são injetados em um paciente com câncer, eles só vão crescer em ambientes sem oxigênio, isto é, no centro de tumores sólidos.

"Este é um fenômeno totalmente natural, que não exige alterações fundamentais e é perfeitamente específico. Podemos explorar essa especificidade para matar as células tumorais, mas deixar o tecido saudável incólume," explicou o Dr. Nigel Minton, coordenador da pesquisa.

Se tiver sucesso, a terapia pode se tornar uma solução única para uma grande variedade de tumores sólidos.


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