Bactérias trocam informações para saber hora de atacar

Bactérias trocam informações para saber hora de atacar
O aspeto apodrecido da batata na zona central deve-se à ação de enzimas produzidas pelas bactérias que degradam a parede celular das células vegetais.
[Imagem: Rita Valente/IGC]

Papo de bactéria

Você já observou que as frutas e vegetais armazenados em sua cozinha duram bastante tempo, mas que estragam extremamente rápido depois que surgem os primeiros sinais de apodrecimento?

A razão para isso pode estar na troca de informações entre as bactérias, que sinalizam umas às outras quando é hora de atacar.

Cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência (Portugal) descobriram que as "conversas" bacterianas podem ser o estímulo inicial para a virulência desses agentes patogênicos.

A equipe da professora Karina Xavier descobriu que a virulência das bactérias patogênicas é acelerada na presença de outras espécies patogênicas que liberam sinais químicos para o ambiente.

"As bactérias usam uma 'linguagem' à base de pequenas moléculas químicas. Quando presentes em número elevado, as bactérias começam a liberar estas moléculas, que vão ser sentidas por outras bactérias da mesma ou de diferentes espécies. Essas moléculas funcionam como sinais que disparam uma resposta que ativa comportamentos bacterianos que só são produtivos quando as bactérias trabalham em conjunto como um grupo, aumentando os comportamentos virulentos," explica Karina Xavier.

Virulência

A equipe usou como modelo a Pectobacterium wasabiae, uma espécie de bactéria de um importante grupo de patógenos de plantas. A virulência destes patógenos caracteriza-se pela produção de enzimas que degradam a parede das células das plantas, apodrecendo o tecido.

Tipicamente, a Pectobacterium wasabiae precisa estar em uma elevada densidade para produzir as moléculas químicas que vão ativar a resposta virulenta. Mas agora a equipe descobriu que essa resposta virulenta pode ser desencadeada mais cedo, mesmo em baixas densidades, se essas bactérias receberem sinais liberados por outras espécies patogênicas presentes no meio.

"Estas moléculas sinalizadoras que permitem às bactérias comunicarem umas com as outras são essenciais para estas bactérias ativarem os seus comportamentos virulentos. Bloquear estes sinais e inibir a comunicação estabelecida entre bactérias é uma estratégia muito promissora, que precisa ser mais explorada para desenvolver estratégias que inibam a virulência de patogênicos," finalizou Karina Xavier

O estudo foi publicado na revista científica de acesso livre mBio.


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