Brasileiros desenvolvem bisturi ultrassônico

Brasileiros desenvolvem bisturi ultrassônico
A ativação ultrassônica do instrumento se dá através de um sinal elétrico que, transmitido ao bisturi, excita um conjunto de cerâmicas.
[Imagem: IFSC]

Cirurgias minimamente invasivas

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos, da USP, desenvolveram um novo tipo de bisturi usando tecnologia ultrassônica.

O sistema permitirá ao médico a realização de cortes mais precisos, em um período de tempo mais curto, além de cauterização e várias outras superações das tecnologias convencionais

Procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos são a grande tendência mundial na área médica.

Velocidade e menor risco

O uso desta tecnologia promete tornar todo o tratamento de saúde menos custoso a longo prazo, por evitar riscos e complicações que exigem maior monitoramento e manutenção do paciente durante e após a cirurgia.

O Brasil já é um grande usuário deste tipo de tecnologia - o número de procedimentos laparoscópicos, por exemplo, tem dobrado a cada ano -, mas ainda não figura entre seus fabricantes.

Incentivados pela empresa especializada em dispositivos médicos WEM, e financiados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), os pesquisadores agora desenvolveram um bisturi ultrassônico nacional.

Os testes mostraram que o equipamento minimiza riscos das cirurgias, oferece menos danos aos tecidos e reduz o tempo da operação e da recuperação do paciente.

Como funciona o bisturi ultrassônico

O bisturi ultrassônico é baseado em um sistema transdutor - um dispositivo que recebe um tipo de energia e a converte em outro tipo - que realiza a geração de vibrações ultrassônicas em uma ponta que transmite a energia ao tecido.

A ativação ultrassônica do instrumento se dá através de um sinal elétrico que, transmitido ao bisturi, excita um conjunto de cerâmicas.

Estas cerâmicas têm a propriedade de gerar um efeito chamado de piezoelétrico reverso, que é a capacidade de gerar energia mecânica, ou seja, movimento, a partir de corrente elétrica, deformando-se e produzindo sons.

Assim, o conjunto de cerâmicas passa a vibrar em uma frequência entre 50.000 e 55.000 Hz por segundo, muito superior à frequência detectada pelo ouvido de um ser humano, que consegue distinguir apenas os sons na faixa dos 20 aos 20.000 Hz.

Ao passar por um conversor, que amplifica a potência acústica, essa frequência gera uma vibração longitudinal - para frente - na haste. Essa energia mecânica é transmitida às proteínas, degradando-as e causando o rompimento dos tecidos.

Tecidos duros

O bisturi possui ainda outra ponta, que prende o tecido, como um pequeno alicate.

Uma das bases do alicate deve permanecer imóvel e a outra, impulsionada pelo ultrassom, promove o corte e cauterização do local.

Os pesquisadores garantem que é possível desenvolver outros tipos de instrumentos, que poderiam servir para o corte de ossos, por exemplo, através do ajuste da frequência do sistema e da ponta da haste do bisturi.


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