Câncer de próstata: médicos aprovam vigilância ativa, mas não recomendam aos pacientes

Os especialistas que tratam do câncer de próstata concordam que a vigilância ativa é a opção mais eficaz e mais adequada para pacientes com câncer de baixo risco ou com idade mais avançada.

Contudo, eles não recomendam a prática para os seus próprios pacientes.

Em vez disso, os urologistas são mais propensos a recomendar a cirurgia, e os oncologistas especializados em radioterapia são mais propensos a recomendar a radiação terapêutica - os tratamentos prestados por suas próprias especialidades.

"Dadas as crescentes preocupações sobre o excesso de tratamento do câncer de próstata, o nosso estudo tem importantes implicações políticas sobre possíveis barreiras à promoção da vigilância ativa, especialmente 'vieses de especializações' sobre o tratamento ideal em relação ao câncer da próstata localizado," comentou o Dr. Simon Kim, da Universidade de Yale (EUA), coordenador do estudo, publicado na revista Medical Care.

Os pesquisadores entrevistaram urologistas e oncologistas em relação aos seus pontos de vista sobre as opções para o câncer de próstata "de baixo risco". O estudo foi centrado acerca das percepções dos médicos sobre a vigilância ativa como a primeira abordagem para seus pacientes.

O que é vigilância ativa

O câncer de próstata geralmente progride lentamente - a maioria dos homens mais velhos diagnosticados com a doença em estágio inicial não vai realmente morrer de câncer de próstata.

Para esses casos de baixo risco, há um interesse crescente na vigilância ativa, em que os pacientes são acompanhados de perto para monitorar qualquer sinal de progressão da doença - se isso ocorrer, os tratamentos tradicionais são adotados.

A vigilância ativa surgiu como uma abordagem para evitar o "excesso de tratamento" do câncer de próstata. Em muitos casos, é possível evitar a cirurgia ou a terapia de radiação, que trazem riscos de complicações e muitos efeitos colaterais, sem realmente beneficiar o paciente.

De forma consistente com as evidências apresentadas pelos estudos sobre o assunto, 72% dos especialistas entrevistados concordaram que a vigilância ativa é uma alternativa eficaz para homens com câncer de próstata de baixo risco.

Mas, na prática, eles não agem assim.

Interesses

"No entanto, 71% dos médicos responderam que seus pacientes não estavam interessados em vigilância ativa," escreveram os pesquisadores. A taxa foi superior a 80% para os radioterapeutas, em comparação com 60% para os urologistas.

Quando perguntados sobre qual tratamento recomendariam para um homem hipotético de 60 anos de idade com câncer de próstata de baixo risco, apenas 22% dos médicos disseram que endossariam a vigilância ativa.

Explicando porque há tanto sobretratamento desse tipo de câncer, 45% deles disseram que recomendariam a cirurgia (prostatectomia radical), enquanto 35% recomendariam alguma forma de radioterapia.

"Nosso estudo sugere que ainda restam algumas barreiras fundamentais de atitude quanto à vigilância ativa entre os especialistas em câncer de próstata, especialmente considerando que os radioterapeutas e os urologistas podem ver os tratamentos de suas especialidades como superiores," concluem os médicos.


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