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08/03/2016

Carnosina pode ser útil para atletas e pacientes

Com informações da Agência Fapesp

Moléculas tóxicas

Situações como abuso de álcool e cigarro, exposição à poluição veicular, envelhecimento e até mesmo atividade física intensa podem causar no organismo uma elevação nos níveis de moléculas tóxicas conhecidas como aldeídos.

Por serem altamente reativos, os aldeídos em excesso danificam proteínas, ácidos nucleicos e outras estruturas importantes para o funcionamento das células.

Algumas dessas lesões são possíveis vias para o desenvolvimento de patologias relacionadas ao estresse oxidativo, como inflamação, doenças neurodegenerativas, doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.

A boa notícia é que essas situações podem ser tratadas com uma substância natural chamada carnosina.

Carnosina

A carnosina é encontrada naturalmente em tecidos como músculos, coração, cérebro, fígado, rins, entre outros.

"Ainda não é totalmente compreendida a ação da carnosina nos músculos. Já se sabe que ela ajuda a equilibrar o pH do tecido, que tende a diminuir com a prática de atividade física intensa, pois esta induz a liberação de ácido láctico. Acreditamos que o efeito benéfico também esteja relacionado ao fato de a carnosina se ligar a aldeídos insaturados, ajudando a eliminá-los do organismo", explica a pesquisadora Marisa Medeiros, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo

Ocorre que a concentração de carnosina pode ser elevada por meio da ingestão de carnes ou de suplementos de β-alanina, aminoácido precursor da carnosina.

Atualmente, a suplementação apenas com β-alanina já é bastante usada por atletas com o objetivo de melhorar o desempenho durante os treinos, especialmente em práticas anaeróbicas como musculação.

Estudo aponta possível uso terapêutico da carnosina
A carnosina ajuda a eliminar moléculas tóxicas presentes nas células após exposição à fumaça de cigarro, consumo de álcool, exercício físico intenso, entre outros - a figura ilustra a formação do produto da reação da carnosina com a acroleína e a sua detecção na urina de humanos. [Imagem: Marisa H. G. Medeiros/IQ USP]

Uso terapêutico da carnosina

A equipe da professora Marisa descobriu a estrutura do composto resultante da reação entre a carnosina e o aldeído insaturado acroleína. Esse aduto (produto da reação química), que é inédito, nunca tendo sido descrito na literatura científica, foi batizado de 3-metilpiridíneo carnosina.

O grupo também desenvolveu um método de alta sensibilidade para detectar e quantificar esse produto da reação carnosina-acroleína em tecidos e em fluidos biológicos, como urina e sangue.

Na avaliação da pesquisadora, os resultados apontam para um possível uso terapêutico da carnosina em patologias relacionadas com o aumento da produção de aldeídos reativos, como, por exemplo, a esclerose lateral amiotrófica.

A continuidade dos estudos prevê o acompanhamento dos níveis da substância em atletas. "Vamos monitorar a liberação desses adutos na urina dos atletas antes e depois da prática de atividade física para ver se os níveis desse possível biomarcador aumentam. Se realmente a carnosina estiver ajudando na eliminação dos aldeídos, o nível desses adutos deverá aumentar após o treino," explicou a pesquisadora.


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