Cientista contesta pílula do exercicio e diz que ela não substitui atividade física

Não existe exercício em uma pílula

Recentemente, cientistas do Salk Institute for Biological Studies, uma organização de pesquisas focada na biologia e em sua relação com a saúde, publicaram um estudo no jornal Cell sobre os resultados de uma substância que aumenta a capacidade física sem exercícios diários quando testada em camundongos.

A imprensa em geral descreveu essa substância como a "pílula do exercício," potencialmente eliminando a necessidade dos exercícios físicos. Frank Booth, um especialista em inatividade da University of Missouri (Estados Unidos) afirma que o estudo da "pílula do exercício" não testou todos os benefícios conhecidos da atividade física e que tomar a pílula não pode ser considerado um substituto para os exercícios físicos.

Mimética dos Exercícios

No artigo da Cell, intitulado "Mimética dos Exercícios", os pesquisadores demonstraram que as reações AMPK-PPARd, um sistema mensageiro celular, podem ser acionadas por medicamentos ativos orais para melhorar a adaptação ao treinamento ou até mesmo aumentar a resistência física sem exercícios. Entretanto, Booth alerta que alguns dos mais conhecidos benefícios dos exercícios físicos não foram testados no estudo publicado na Cell, incluindo:

  • Decréscimo na taxa de batimentos cardíacos no pico do esforço e em repouso
  • Aumento do volume de sangue bombeado pelo coração em todos os ritmos de exercícios
  • Aumento da capacidade cardíaca
  • Menor pressão sangüínea e resistência arterial
  • Aumento da capacidade aeróbica

Redução dos riscos do sedentarismo

A prevenção dos maiores riscos de doenças crônicas produzidos pela inatividade física crônica também não foi testada. De acordo com Katzmarzyk & Janssen (Can J Appl Physiol 29:90, 2004), a atividade física humana diminui o risco de:

  • Doenças coronarianas - decréscimo do risco em 45%
  • Infarto - decréscimo do risco em 60%
  • Hipertensão - decréscimo do risco em 30%
  • Câncer do cólon - decréscimo do risco em 41%
  • Câncer de mama - decréscimo do risco em 30%
  • Diabetes tipo 2 - decréscimo do risco em 50%
  • Osteoporose - decréscimo do risco em 59%

Substituição dos exercícios físicos

Até que a ativação das reações AMPK-PPARd por meio de medicamentos tenha mostrado todos os benefícios acima listados em humanos, é prematuro utilizar a expressão "mimética dos exercícios físicos" a partir das observações muito limitados mostradas no artigo da Cell, diz Booth.

Booth acredita, baseado em seus mais de 40 anos de experiência na pesquisa das adaptações aos exercícios e à inatividade física, que os medicamentos apresentados irão imitar os exercícios apenas parcialmente.

Para que qualquer "pílula do exercício" combata a inatividade física, a pílula deverá ser poligênica, ou controlar muitos genes ao mesmo tempo; além disso, os medicamentos apresentados não parecem ser capazes de oferecer todos os benefícios da atividade física.

Na opinião de Booth, as drogas utilizadas na pesquisa não provaram conclusivamente ser capazes de substituir os exercícios, contrariamente ao que a mídia relatou.

Benefícios comprovados dos exercícios físicos

Veja abaixo os benefícios mais comuns associados à prática de exercícios físicos e que não foram avaliados no estudo da "pílula do exercício:"

  • Decréscimo na taxa de batimentos cardíacos no pico do esforço e em repouso
  • Aumento do volume de sangue bombeado pelo coração em todos os ritmos de exercícios
  • Aumento da capacidade cardíaca
  • Menor pressão sangüínea e resistência arterial
  • Aumento da capacidade aeróbica
  • Aumento da resistência e da área transversal do músculo esquelético
  • Retardamento da perda de massa muscular e da resistência com o envelhecimento
  • Melhoria do equilíbrio e da coordenação
  • Aumento da flexibilidade
  • Redução da osteoporose
  • Redução do estresse das articulações e das dores nas costas
  • Diminuição dos cálculos biliares
  • Melhoria da função endotelial
  • Diminuição da incidência da isquemia miocardial
  • Menor dano miocardial da isquemia
  • Menor estresse oxidativo
  • Diminuição das inflamações
  • Melhoria da função imunológica
  • Diminuição da esteatose no fígado e da doença do fígado gorduroso
  • Melhoria da sensibilidade à insulina e redução no risco do diabetes tipo 2
  • Menor propensão à depressão, ansiedade, estresse e mal-estar psicológico
  • Melhoria da hiperlipidemia: menor colesterol total, aumento no HDL e decréscimo nos triglicerídios do sangue
  • Melhoria das funções cognitivas nos idosos
  • Aumento do fluxo sangüíneo e neurogênese na circunvolução denteada do hipotálamo
  • Prevenção da perda de volume cerebral nos idosos
  • Retardamento no declínio das reservas fisiológicas com o envelhecimento

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