Colesterol na carne bovina pode ser diminuída com alteração na dieta do animal

Contrafilé

Um estudo realizado na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga, no interior paulista, verificou que a suplementação na ração de bovinos com níveis elevados de sulfato de cobre diminuiu a deposição de colesterol no músculo Longissimus dorsi, popularmente conhecido como contrafilé, sem causar efeito tóxico.

Foram utilizados 28 bovinos da raça brangus, considerada uma das que produzem carne de melhor qualidade. Antes de serem abatidos, os animais permaneceram em baias individuais por 131 dias, alimentados com ração à base de silagem de milho e uma mistura mineral contendo sulfato de cobre.

Deficiência de sulfato de cobre

O experimento resultou na tese de doutorado de Gustavo Ribeiro Del Claro, que teve bolsa da FAPESP, sob orientação do professor Marcus Antonio Zanetti. Segundo o docente, do Departamento de Zootecnia, a deficiência de sulfato de cobre em bovinos causa hipercolesterolemia - elevação dos níveis de colesterol no sangue - em virtude do aumento da enzima glutationa reduzida (GSH).

Zanetti explicou que o inverso, doses elevadas de sulfato de cobre, causa o aumento da enzima glutationa oxidada (GSSG), provocando uma diminuição na atividade de outra enzima que regula a síntese de colesterol nos bovinos, a HMG-CoA redutase.

Suplementação da ração animal

Para o trabalho, os pesquisadores se basearam nos índices do Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos, que recomenda até 10 miligramas de sulfato de cobre por quilo de ração para que o animal ganhe peso normalmente. Suplementações superiores a 10 miligramas por quilo não fariam diferença, uma vez que os ganhos de peso seriam os mesmos.

"Mas nosso estudo verificou que valores de sulfato de cobre acima desse nível tiverem um efeito importante para a redução do colesterol na carne. Ao trabalharmos com uma suplementação quatro vezes maior, de 40 miligramas por quilo, verificamos que o mineral contribuiu para a diminuição dos níveis da enzima glutationa reduzida e para o aumento da glutationa oxidada. Com isso, a carne apresentou 30% a menos de colesterol", disse Zanetti à Agência FAPESP.

Sem efeitos tóxicos

"Com os níveis de sulfato de cobre utilizados, não houve nenhum efeito tóxico nos animais, que tiveram crescimento e ganho de peso normais", disse o professor. No fim do período, os bovinos, que antes do confinamento tinham 14 meses de idade, ganharam cerca de 1,3 quilo por dia.

O sulfato de cobre é amplamente utilizado para a promoção do crescimento em animais como suínos e frangos, nesse caso em doses que chegam a até 200 miligramas por quilo de ração. "Para quem se preocupa com esse uso, é importante destacar que, mesmo em quantidades elevadas como essa, o cobre não é transferido para a carne", afirmou o professor da USP em Pirassununga.

"Da mesma forma, o metabolismo dos bovinos regula a absorção do sulfato de cobre, fazendo com que o nível do mineral na carne continue o mesmo, sem qualquer tipo de risco ao consumo. O sulfato de cobre é um mineral essencial para a alimentação animal", disse.

Carnes mais saudáveis

Zanetti apontou ainda que, como o contrafilé é considerado uma carne modelo na literatura científica para estudos dessa natureza, "muito provavelmente a redução dos níveis de colesterol deve ter se estendida para outros músculos do animal, o que poderá ser verificado em novos estudos".

Em conjunto com Del Claro, o professor está redigindo um artigo científico para publicação em revista nacional para que os resultados do trabalho sejam utilizados por qualquer criador interessado.

"Nossa intenção é divulgar esse tipo de tecnologia, que é muito simples de ser implementada, para a produção de carnes mais saudáveis. É uma função da universidade pública encontrar caminhos melhores para produzir mais e com qualidade elevada", destacou.


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