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05/02/2016

Como os médicos morrem

Emily Wilson - Harvard
Como os médicos morrem
Os resultados dão suporte à ideia de que a chamada "obstinação terapêutica" elimina o direito de morrer com dignidade, mantendo os pacientes em terapias que não terão efeito - os próprios médicos evitam submeter-se a elas. [Imagem: Wikimedia/Norbert Kaiser]

Cuidados médicos de final de vida

Os médicos são menos propensos do que a população em geral a se submeter a tratamentos de saúde intensos no final de suas vidas.

No geral, os médicos são menos propensos a morrer em um hospital em comparação com pacientes não-médicos, são menos propensos a passar por cirurgias durante os últimos seis meses de vida e menos susceptíveis de serem internados em UTIs.

Em três de cinco indicadores da intensidade dos chamados "cuidados médicos de final de vida", os médicos se submeteram a significativamente menos intervenções do que a população como um todo.

Os cuidados médicos de final de vida incluem, além dos cuidados paliativos, todas as intervenções médicas envolvendo doenças terminais, condições incuráveis ou doenças progressivas, incluindo os procedimentos nos dias e horas finais da vida.

Procedimentos fúteis

Os pesquisadores usaram dados dos registros médicos para avaliar cinco indicadores validados da intensidade dos procedimentos médicos durante os últimos seis meses de vida: cirurgia, cuidados paliativos, admissão em unidade de terapia intensiva, morte no hospital e despesas.

Eles então compararam esses indicadores entre os médicos e a população em geral (excluindo outros profissionais de saúde e advogados) e entre médicos e advogados, que se presume serem socioeconomicamente e educacionalmente semelhantes, e entre os advogados e a população em geral.

"Nossa análise confirma o que vínhamos especulando, que os médicos, que são mais propensos a ter experiência de primeira mão com os problemas e futilidades dos cuidados de fim de vida, são menos propensos a passar por cirurgias ou serem internados na UTI durante os últimos seis meses de vida, ou de morrer no hospital," disse o médico Joel Weissman, da Escola de Medicina da Universidade de Harvard (EUA).

Morte em casa

"Estes resultados sugerem dois pontos-chave: Quando os próprios médicos estão enfrentando a morte, eles evitam cuidados médicos intensivos, o que podemos supor se dever ao seu conhecimento de quão violentos e fúteis esses esforços geralmente são; também, os médicos e advogados têm os recursos que os permitem morrer em casa, o que sugere que as preocupações financeiras e a falta de disponibilidade de cuidadores podem ser barreiras para morrer em casa para os pacientes menos educados e menos afluentes," disse Holly Prigerson, coautora do trabalho.

"Os resultados fornecem uma forma de depoimento médico recomendando cuidados menos agressivos no fim da vida e destaca a necessidade de recursos econômicos e humanos para dar suporte à morte em casa," completou ela.

Os resultados foram publicados na revista médica JAMA, em uma edição especial temática com foco nos cuidados de fim de vida.


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