Conhecer as consequências não é suficiente para se evitar o mal

Conhecer as consequências não é suficiente para se evitar o mal
Como esses alunos poderão, no futuro, ter um discurso coerente na orientação de hábitos saudáveis a seus pacientes se eles próprios não adotam tais condutas?
[Imagem: Fapesp]

Profissionais da saúde dos outros

Uma pesquisa feita com estudantes da área de saúde apontou números elevados para condutas de risco que ameaçam a saúde do próprio indivíduo. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A amostra do trabalho envolveu 382 estudantes de ambos os sexos, com idades entre 20 e 29 anos e de cursos da área de saúde das principais universidades públicas em Pernambuco. Durante a realização do trabalho eles estudavam odontologia, medicina, enfermagem, fisioterapia, nutrição, educação física, fonoaudiologia, farmácia e terapia ocupacional.

Fumo e álcool

De acordo com a pesquisa, 61,2% dos estudantes homens disseram ter fumado alguma vez, contra 48,9% entre as mulheres. O consumo frequente de cigarros foi maior no sexo masculino (32,4%) do que no feminino (13,8%).

Com relação ao consumo de álcool, 91,4% dos homens e 79,7% das mulheres disseram já ter ingerido algum tipo de bebida alcoólica, sendo que o consumo nos últimos 30 dias também foi maior no primeiro grupo (84% contra 77,7%).

Os dados foram coletados por meio do questionário National College Health Risk Behavior Survey, desenvolvido pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), que inclui informações sociodemográficas e outros temas relacionados à saúde, como segurança no trânsito, comportamento sexual, hábitos alimentares e prática de atividade física.

Violência e drogas

No item violência, as condutas relatadas também foram mais elevadas entre os homens: 6% disseram ter carregado uma arma de fogo ou faca nos últimos 30 dias e 9,5% se envolveram em brigas físicas nos últimos 12 meses, contra 0,4% e 3,4%, respectivamente, entre as mulheres.

O uso de maconha, inalantes e esteróides foi novamente maior entre os homens. Por outro lado, as condutas relacionadas à segurança no trânsito, suicídio e hábitos alimentares se mostraram semelhantes entre os jovens, independentemente do gênero.

Também não foi observada diferença significativa com relação à prática de atividade sexual nos 30 dias anteriores à pesquisa, embora menos da metade dos estudantes do gênero masculino tenha relatado o uso do preservativo "na maioria das vezes" ou "sempre".

Sem autoridade para falar aos pacientes

"Uma das questões mais importantes é que todos os entrevistados eram da área da saúde. Como esses alunos poderão, no futuro, ter um discurso coerente na orientação de hábitos saudáveis a seus pacientes se eles próprios não adotam tais condutas?", indagou a primeira autora da pesquisa, Viviane Colares Amorim, da Universidade de Pernambuco (UPE), em entrevista à Agência FAPESP.

"O estudo mostra que cada gênero apresenta problemas distintos quanto a comportamentos não saudáveis, características que podem auxiliar nas campanhas e iniciativas de educação de saúde voltadas às diferenças de cada público específico", aponta Viviane, que também é professora do Departamento de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Pernambuco da UPE.

De mal a pior

De acordo com Viviane, o trabalho em questão deu continuidade a outro levantamento feito na Universidade Federal de Pernambuco com universitários do Nordeste que avaliou alunos no início e no fim dos cursos.

"Todos os alunos do primeiro trabalho também eram da área da saúde. Verificamos que muitos deles tiveram uma piora significativa em seus hábitos de saúde, que já não eram saudáveis no início do curso e só pioraram no fim", disse.


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