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16/04/2015

Corante do açafrão mata larvas do mosquito da dengue

Com informações da Agência Fapesp
Corante do açafrão mata larvas do mosquito da dengue
Um composto extraído do açafrão foi adicionado à água de criadouros do mosquito transmissor da dengue e eliminou 100% das larvas após 8 horas de exposição à luz solar.[Imagem: Ag.Fapesp]

Cúrcuma

Um composto extraído da raiz da cúrcuma (Curcuma longa L.), também conhecida como açafrão-da-índia, está sendo testado com sucesso por pesquisadores brasileiros no combate às larvas do mosquito transmissor da dengue.

"A curcumina, uma das substâncias que conferem a cor alaranjada ao açafrão, possui propriedades fotodinâmicas naturais. Na presença da luz, ela induz a produção de espécies reativas de oxigênio, que são altamente tóxicas", conta o professor Vanderlei Bagnato, da USP de São Carlos.

Por serem transparentes, explicou o pesquisador, as larvas do Aedes aegypti são particularmente sensíveis ao efeito fotodinâmico. O corante se acumula no intestino do inseto após ser ingerido com a água do criadouro.

Quando a substância é ativada pela luz, induz a produção de moléculas de moléculas chamadas oxigênio singlete, um forte oxidante que danifica de forma fatal o tecido do trato digestivo da larva.

Este princípio pode ter várias utilizações, e a equipe também está avaliando a eficácia do corante à base de curcumina no combate a fungos causadores da micose de unha, na descontaminação bucal e no tratamento de úlceras venosas.

Açafrão contra dengue

Os pesquisadores estão comparando o efeito da terapia fotodinâmica com uso de luz solar, luz branca comum e luz de LED azul. No ensaio mais bem-sucedido, 100% das larvas presentes na amostra morreram depois de oito horas de exposição à luz solar, sendo que a taxa de mortalidade começou a subir após as duas primeiras horas.

"O melhor resultado observado foi com a luz solar, o que é ótimo, pois não seria viável economicamente instalar lâmpadas para iluminar todos os criadouros naturais do mosquito. Outro fato importante observado é que, mesmo nos dias nublados, o experimento foi repetido e observamos uma mortalidade importante, ou seja, não é necessário que o criadouro receba iluminação direta para que o método funcione", contou Natália Inada, membro da equipe.

"Por enquanto, os experimentos têm sido feitos apenas em laboratório, com um sistema padronizado e controlado. O objetivo é determinar a concentração mínima necessária para matar as larvas sem causar impactos ambientais.

"Antes de levar a pesquisa de campo para os criadouros naturais, precisamos ter total certeza de que as substâncias resultantes da fragmentação fotoquímica da curcumina são inofensivas a outros seres vivos, como algas, peixes, humanos e animais domésticos que eventualmente tenham contato com a água do criadouro", concluiu Natália.


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